O Acre vive um momento de atenção. Com a chegada do fenômeno El Niño, as projeções climáticas acendem um alerta no estado. Conhecido por alterar o clima global a partir do aquecimento das águas do Oceano Pacífico, o El Niño traz a seca para a Amazônia, levando a umidade da região para outras áreas do país.
Sob influência do El Niño, o Acre sofre impactos diretos do fenômeno em áreas como meio ambiente e saúde. Na última semana, a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica), uma agência dos Estados Unidos da América, confirmou oficialmente o início do fenômeno.
O Centro de Previsão Climática da NOAA atribui a este El Niño uma probabilidade de 63% de se tornar um evento “muito forte”, conhecido popularmente como Super El Niño, e um dos “maiores eventos El Niño registrados historicamente desde 1950”.

A Defesa Civil segue monitorando o cenário com atenção e alerta para os impactos da seca prolongada/ Foto: ContilNet
Com a força do fenômeno na Amazônia, a população acreana já começa a sentir os efeitos. Para entender os impactos na saúde, o ContilNet conversou com a médica pneumologista Célia Rocha.
“Quem tem problema respiratório, qualquer variação climática, para mais ou para menos, complica. Com o El Niño, a temperatura vai subir. No Sul vai chover, o Norte vai ser seco e aí vem a questão da poluição. Além disso, a questão do desmatamento também é importante, pois nós passamos a ter mais contato com os animais silvestres, que transmitem doenças”, explicou.
A médica destaca que durante o período de seca, diversos vírus circulam. “Na época do calor intenso, estamos em uma região de muito calor, e quem tem problema respiratório, começa a ter crises pelo fator irritante, pelo calor, pela proliferação de gases tóxicos, pela questão da umidade, pela mudança brusca de temperatura, pela poluição ambiental. Quem tem problema respiratório, começa a ter mais crises, e quem não tem, passa a adquirir também, porque vocês sabem que os processos de alergia, das mais variadas formas e etiologias, são muito comuns na época de hoje”, disse.
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A pneumologia ressalta que os efeitos do El Niño fazem uma ‘verdadeira reação em cascata’. No Meio Ambiente, a situação não é diferente. Os efeitos do fenômeno também são negativos para outras áreas que interferem na qualidade de vida do ser humano.
De acordo com o coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, tenente-coronel Cláudio Falcão, o Acre estava sob o efeito do fenômeno La Niña, o que causou inundações em diversos municípios.
“Quando chegou em março, nós ficamos em uma situação de neutralidade. O El Niño começou a atuar em maio. Foi o primeiro mês que nós sentimos o impacto da diminuição de chuva. Agora, a partir da segunda quinzena, a gente vai começar a sentir mais efeito do El Niño. Continuaremos com a diminuição dessas chuvas, vai começar a ter aumento mais significativo de temperatura, além da umidade relativa do ar, que deve cair mais ainda”, explicou.
De acordo com o coronel, as previsões apontam que o Acre deve enfrentar períodos de alerta para baixa umidade. “Abaixo de 30%, a gente entra em uma situação bem complicada. Com isso, nós temos outro impacto: vai aumentar a temperatura, toda vez que diminuir a quantidade de chuva, a gente tem aumento de temperatura. Vai afetar também a questão de queimadas, porque a gente vai ter baixa umidade relativa do ar, altas temperaturas e ausência de chuva. Quando junta esses três fatores, vêm as queimadas, que se a gente não controlar, a gente vai ter aquele problemão que nós tivemos lá em 2024”, disse.
O coronel explicou, ainda, que algumas represas e poços, principalmente da zona rural, já estão com capacidade de apenas 40%. “Já perderam 60% da capacidade. Isso já é um impacto que a gente tem que entrar com uma ação de caminhões pipas, de abastecimento e tudo mais. Juntando tudo isso, a gente vai entrar naqueles prejuízos da agricultura, da piscicultura, da agricultura familiar e aí vai se agravando cada vez mais. É um cenário desfavorável”, destacou.
Falcão afirmou que a chuva que atingiu Rio Branco na última terça-feira (9) pode ser atribuída ao efeito do El Niño no Brasil. “O clima começa a ficar em desequilíbrio. Então ela faz parte, apesar de que as chuvas não deveriam fazer parte do cenário do El Niño na Amazônia, porque o efeito é o contrário. A chuva de terça foi algo fora da curva. A gente pode atribuir também a uma frente fria que atingiu o Sul do país e vai avançando. A gente não sentiu aqui porque nós moramos muito longe de lá. Essa umidade lá pode ter cotribuído para que essa chuva fora do tempo tivesse acontecido aqui em Rio Branco”, disse.
O El Niño mais recente, ocorrido em 2023 e 2024, foi registrado uma seca histórica na Amazônia e uma enchente grande no Rio Grande do Sul.
Ações da Prefeitura
Segundo o coronel, diversas ações serão desenvolvidas no período mais severo da seca em 2026.
“As ações que nós vamos desenvolver são na área da saúde, na área do meio ambiente, na área de defesa civil, que é o socorro de resposta, e também na área da agricultura através da Secretaria Municipal, que vai diminuir esses impactos. Agora os impactos virão. Nós temos que buscar os meios de diminuir esses impactos. Os prejuízos, da própria saúde da população, com muito calor, com muita queimada, fumaça, poeira”, explicou.





