Etnoturismo no Acre atrai turistas estrangeiros com festivais indígenas
O etnoturismo se consolidou como um dos principais cartões-postais do Acre no cenário turístico nacional e internacional. Muito além de locais de preservação cultural, os festivais indígenas que ocorrem nas aldeias acreanas tornaram-se motores de desenvolvimento econômico e resgate de identidades que pareciam esquecidas.
Ao ContilNet, o secretário de Estado de Turismo e Empreendedorismo, Marcelo Messias, o Acre possui um diferencial único no Brasil. Enquanto outros estados da Região Norte se destacam por segmentos como a pesca esportiva, o Acre tem no etnoturismo a sua maior força.
“A gente pode dizer que o nosso etnoturismo é o cartão postal do estado, principalmente quando a gente vende o Acre pra fora do Brasil. Sabemos que a gente tem a Amazônia como um ponto focal da região Norte, mas cada estado tem o seu potencial turístico e o Acre é conhecido pelo potencial do etnoturismo. Isso tudo vem graças aos nossos festivais que, pra mim, são únicos no Brasil”, destaca o secretário.
Ainda em 2026, devem acontecer cinco festivais indígenas, de acordo com o Calendário Oficial de Eventos de 2026, publicado no Diário Oficial do Estado (DOE). Em setembro acontece o Festival Indígena “Yikaklu” do Povo Manchineri, em Assis Brasil.
Em outubro acontece o Festival Indígena “Yawa” do Povo Yawanawa, em Tarauacá. Em dezembro acontecem três:
Festival Indígena “Shiate” do Povo Apolima Arara, em Marechal Thaumaturgo; Festival Indígena “Batismo Nixpu Pima” do Povo Huni Kui, em Santa Rosa do Purus; e o Festival Indígena “Ikamuru Shuku Shukuwe” do Povo Huni Kui, no Jordão.
Segundo o titular da pasta, os festivais funcionam como um ecossistema complexo que integra diversos nichos do turismo em um único evento. Quem visita uma aldeia durante os festejos encontra uma oferta diversificada de experiências como vivências e trilhas, gastronomia local e artesanato.
Além de se tornarem uma espécie de vitrine para o turismo, os festivais indígenas também são importantes para a economia.
A atração de visitantes, com destaque para os turistas europeus, impulsionados pela rede de contatos que os próprios povos mantêm no exterior, gera um efeito multiplicador em toda a economia acreana.
O impacto econômico não se limita aos dias de festa. O ciclo de consumo envolve toda a cadeia turística antes, durante e depois dos eventos.
O turista passa a deixar o seu dinheiro no Acre desde a chegada no aeroporto com deslocamentos com serviços de transporte, além da rede hoteleira, bares e restaurantes, atrações turísticas e artesanato.
“Para a gente é fundamental porque um turista que vem para um festival desse, ele começa a desenvolver o nossa turismo. Hoje o turismo é o segmento que mais desenvolve a economia mundial. Essa é a importância do festival, porque ele não fomenta somente o festival em si, mas também fomenta uma cadeia ligada ao turismo antes, durante e também depois. Isso é muito importante”, destacou.
Casos como o da Terra Indígena Puyanawa, em Mâncio Lima, por estar mais próxima da área urbana, demonstram que muitos visitantes optam por pacotes sem pernoite na aldeia, movimentando diretamente os hotéis e restaurantes da cidade vizinha.
Ações de apoio e capacitação
Para garantir a realização das festividades e a boa recepção dos visitantes, o Governo do Estado, em parceria com Sete e a Secretaria dos Povos Indígenas (SEPI), atua na logística e no fortalecimento das comunidades.
Cada povo recebe suporte personalizado conforme sua localização e infraestrutura, como logística e estrutura, capacitação profissional, além da promoção institucional.
“A gente é muito alinhado em relação a isso. Dentro de um festival desse cada cada etnia tem um pedido. Às vezes chega com o pedido de apoio, de logística, apoio de divulgação, apoio de transportes, porque alguns festivais ficam dentro da floresta que você só chega através de barcos então eles pedem apoio de combustível. O apoio fundamental, a gente também auxilia na divulgação fora do estado. Isso fortalece muito os festivais”, explicou.
O calendário oficial de eventos do Estado do Acre de 2026 incluiu, além dos cinco festivais que ainda devem acontecer, outros 9 eventos realizados em terras indígenas ao longo do ano, desde janeiro.
Turistas internacionais
Grande parte dos visitantes e participantes dos festivais indígenas são turistas de outros estados do Brasil, mas principalmente de outros países, mais centralizados na Europa, de acordo com o secretário Marcelo Messias.
Indígenas puyanawas em ritual no centro da aldeia; costumes ancestrais poderão ser vistos por visitantes em julho. Foto: Alexandre Noronha/Secom
Segundo o painel de chegadas internacionais da Embratur, o Acre recebeu 14.204 turistas estrangeiros entre janeiro e julho de 2026, sendo apenas 26 por via aérea e todo o restante via terrestre, pelas fronteiras com o Peru e a Bolívia.
Os países vizinhos são maioria nos turistas internacionais, principalmente pela integração entre os países. Já entraram 10.135 turistas do Peru; da Bolívia foram 2.943.
Os outros países foram Venezuela (215); Colômbia (147); Equador (119); Alemanha (111); Argentina (83); Chile (69); França (68); Espanha (34); Reuni Unido (30); Estados Unidos (28); Itália (18); Suíça (16); México (14); Bélgica (13); República Dominicana (13); Rússia (13); Israel (12); Holanda (11); Portugal (11); Uruguai (7); Áustria (6); Irlanda (6); Japão (6); Nova Zelândia (6); República Tcheca (6); Austrália (5); Canadá (5); China (5); Polônia (5); Paraguai (4); Estônia (3); Grécia (3); Índia (3); Luxemburgo (3); Ucrânia (3); África do Sul (2); Chipre (2); Dinamarca (2); El Salvador (2); Hungria (2); Kuwait (2); Panamá (2); Suécia (2); Turquia (1); Costa Rica (1); Eslováquia (1); Filipinas (1); Guatemala (1); Islândia (1); Moldávia (1); Romênia (1).