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No limite: acreanos enfrentam a BR-319 de fusca em expedição até Roraima

Por Anne Nascimento, ContilNet 30/08/2026 11:19 Atualizado em 30/08/2026 11:22
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Dois fuscas, quatro pessoas e uma estrada conhecida por colocar veículos e motoristas à prova. Esse é o “obstáculo”, mas também, a aventura de um grupo de acreanos que decidiu transformar o gosto por adrenalina em expedição pela BR-319, com destino final em Boa Vista, Roraima. No caminho, estão 900 quilômetros entre Porto Velho e Manaus, sendo cerca de 500 km considerados pelo grupo como o trecho mais difícil da viagem.

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O ContilNet conversou com Nilton Pontes, um dos aventureiros corajosos, que explicou que a expedição começou a ser planejada há cerca de dois anos, depois de uma viagem até Cruzeiro do Sul. A ideia inicial era chegar a Manaus, mas o projeto cresceu e passou a incluir a travessia da Amazônia até Roraima, chegando à região da fronteira com a Venezuela e a Guiana.

A escolha da BR-319 não foi por acaso. Segundo Nilton, a estrada reúne justamente as condições que o grupo queria enfrentar e registrar. “É uma BR muito complexa, uma das estradas mais complicadas da Amazônia”, afirma.

Segundo Nilton, a estrada reúne justamente as condições que o grupo queria enfrentar e registrar. — Foto: Reprodução

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O trecho mais esperado — e temido! — fica entre Porto Velho e Manaus. Dos 900 quilômetros do percurso, aproximadamente 500 km são apontados como os de maior dificuldade.

“Esse trecho é barro, é tabatinga, é poeira, é buraco. Se chover, é lama”, conta Nilton. E a chuva pode mudar completamente os planos. “Se der uma chuva, a gente tem que parar e esperar o sol sair para poder esquentar, porque ninguém consegue andar”, relata.

Um ano preparando os fuscas

Para chegar à estrada, os dois veículos passaram por uma preparação que começou muito antes da partida. Segundo Nilton, o grupo levou aproximadamente um ano organizando a viagem, comprando peças, reunindo equipamentos e preparando os carros.

A preparação mecânica dos fuscas durou cerca de dois meses e envolveu revisão do motor, mudanças na suspensão e elevação dos veículos.“A gente teve que mexer em toda a suspensão do carro, levantar mais o carro, para poder deixar ele firme e forte e poder aguentar a viagem”, explica.

Os veículos também receberam equipamentos para enfrentar possíveis problemas durante a travessia. Entre os itens levados estão peças de reposição, ferramentas, equipamentos de manutenção, celulares e câmeras para registrar o percurso.

Dois veículos passaram por uma preparação que começou muito antes da partida. — Foto: Reprodução

Até combustível extra foi incluído na bagagem, já que o grupo não sabe em quais pontos conseguirá abastecer durante o trajeto.

Experiência com perrengues

A preocupação com peças de reposição não surgiu por acaso. O grupo já enfrentou situações complicadas em viagens anteriores. Em fevereiro, durante uma viagem ao Chile, o para-brisa de um dos fuscas quebrou. Como estavam em Porto Maldonado, no Peru, o grupo teve dificuldade para encontrar uma peça nova.

“Não tinha loja para comprar. A gente teve que ir em ferro-velho, em mecânicas, achar um fusca jogado para poder pegar o para-brisa e colocar no carro”, relembra.

Na mesma viagem, outro problema mecânico complicou o percurso: um vazamento no radiador de óleo. “O radiador de óleo furou e a gente teve o maior perrengue para poder desmontar o motor, tirar o radiador de óleo, encontrar uma cidade que tivesse um radiador para a gente poder comprar e continuar a viagem”, conta.

A experiência fez o grupo mudar a preparação para a nova expedição. Desta vez, um para-brisa e um radiador de óleo extras estão entre os equipamentos. “Todos os perrengues que a gente passa em uma viagem, a gente se organiza para não passar na outra”, explica Nilton.

Não é turismo

Apesar do caráter aventureiro, Nilton faz questão de diferenciar a expedição de uma simples viagem de lazer. Para ele, existe uma missão por trás da travessia: mostrar a realidade da BR-319 e registrar as dificuldades enfrentadas por quem depende da estrada. “A gente não está indo passear”, afirma.

Segundo ele, se a intenção fosse apenas viajar, o grupo faria o percurso com mais tempo e sem a preocupação de retornar rapidamente. A expedição, porém, tem compromissos e um objetivo definido. “A gente está indo para uma aventura, mas com um objetivo específico, que é mostrar os desafios da Amazônia, da BR-319”, explica.

Além disso, o grupo pretende se encontrar com clubes de fusca de Rondônia, Amazonas e Roraima, fortalecendo a ligação entre os amantes do modelo na região Norte.

Diário de bordo pode virar livro

Tudo o que acontecer durante a viagem será registrado em um caderno de bordo. A ideia é reunir relatos, dificuldades, encontros e momentos marcantes para, posteriormente, transformar o material em um livro.

Nilton quer que a história sirva também como registro para o futuro, especialmente caso a BR-319 passe por mudanças e se torne mais acessível.

“Para quando as próximas gerações que vierem, que encontrarem a BR-319 trafegável 24 horas por dia, asfaltada, bonita, as pessoas saberem que no passado foi muito difícil passar por ela”, afirma.

“Uma máquina de fazer amigos”

Além dos desafios da estrada, a expedição terá outro objetivo: encontrar pessoas que compartilham da mesma paixão pelos carros antigos. Para Nilton, o fusca facilita esses encontros. “O fusca é uma máquina de fazer amigos”, resume.

“O fusca é uma máquina de fazer amigos”, resume Nilton. — Foto: Reprodução

A ideia é conhecer integrantes de clubes em Manaus e Roraima, além de fortalecer os laços já existentes com os grupos de Rondônia.

O grupo também pretende criar uma rede de comunicação entre os clubes da região Norte e trabalhar para organizar um encontro regional no futuro.

Viagem feita com ajuda dos admiradores

A expedição também ganhou uma característica diferente na forma de financiamento. Em vez de buscar patrocínios de empresas, o grupo criou uma campanha para vender miniaturas de fusca e arrecadar dinheiro para a viagem.

Segundo Nilton, os recursos obtidos com as vendas serão utilizados para ajudar a pagar combustível, hospedagem e parte da alimentação. “A gente não foi atrás de patrocínio, não foi atrás de lojistas, de empresários. Quem está bancando essa nossa viagem são os amigos, são as pessoas que acompanham a gente nas redes sociais”, explica.

Para ele, cada pessoa que comprou uma miniatura acabou se tornando parte da expedição. “Todo mundo que comprou um fusquinha faz parte da viagem”, afirma.

Um marco para o clube

Ao falar sobre o sentimento de encarar a viagem, Nilton resume a mistura de ansiedade e alegria diante de um percurso que, segundo ele, ainda não foi realizado dessa forma por outro grupo que conheça.

“Muita ansiedade, mas também muita alegria de poder estar fazendo esse desafio”, diz. A expectativa é que a expedição se torne um marco para o fusca Clube Acre e para os admiradores do modelo na Amazônia.

“Estamos deixando um marco histórico na história do Fusca Clube Acre, na história dos amantes do fusca da Amazônia”, afirma Nilton. O grupo pretende deixar registrada a experiência e incentivar outros proprietários a colocarem seus próprios fuscas na estrada.

“A gente quer mostrar que, se você cuidar do seu fusca, se ele for um carro bem cuidado, se estiver alinhado, você pode passear com a sua família, pode enfrentar desafios, pode chegar com um fusca onde muitas pessoas acham que não é possível chegar”, conclui.

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