O julgamento de Gladson pode virar de cabeça para baixo a eleição no Acre
Há uma decisão no Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) marcada para esta sexta-feira que ultrapassa, e muito, os limites de um processo de registro de candidatura. O julgamento de Gladson Camelí é capaz de mexer diretamente na configuração da disputa pelo Senado e, por consequência, produzir efeitos também na corrida pelo governo do Estado.
Gladson chega ao julgamento como o único dos oito candidatos ao Senado que ainda aguarda uma decisão sobre o próprio registro. E chega justamente no momento em que aparece na liderança das pesquisas de intenção de voto.
É por isso que, no Acre, boa parte da eleição passa pelo que acontecer nesta sexta-feira.
O ex-governador foi condenado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) a 25 anos e 9 meses de prisão e teve sua candidatura impugnada pelo Ministério Público Federal (MPF), que sustenta a incidência das regras da Lei da Ficha Limpa.
A sessão está prevista para começar às 15h e será conduzida pela presidente do TRE-AC, desembargadora Waldirene Cordeiro. A relatoria do processo está nas mãos do juiz titular Thalles Vinícius, que assumiu o cargo em março deste ano.
O ponto central é simples: se Gladson continuar na disputa, a eleição para o Senado permanece com um dos candidatos mais competitivos do pleito. Se tiver o registro indeferido, abre-se imediatamente uma nova equação eleitoral.
Isso porque nomes como Márcio Bittar, Jorge Viana e Mara Rocha passam a disputar um cenário completamente diferente. Gladson lidera as pesquisas mais recentes e, portanto, sua eventual saída não seria apenas a retirada de um nome da cédula. Seria a redistribuição de votos de um candidato que hoje ocupa posição central na corrida.
E há uma segunda eleição que pode sentir os efeitos dessa decisão.
O futuro do governo também passa, de alguma forma, pelo julgamento de Gladson.
O ex-governador trabalha pela reeleição de sua sucessora, Mailza Assis, e sua presença na campanha é um ativo importante para a candidata. Gladson fora da disputa pelo Senado não significa automaticamente que deixará de fazer campanha, mas uma eventual decisão desfavorável certamente mudaria suas condições políticas e jurídicas para atuar no processo eleitoral.
Na prática, a campanha de Mailza perderia parte da capacidade de contar com Gladson como um dos principais cabos eleitorais da chapa.
É aí que o julgamento deixa de ser apenas jurídico e passa a ter consequências eleitorais muito maiores.
Gladson ainda poderá recorrer caso o TRE-AC indefira seu registro. O advogado Erick Venancio, que atua na defesa do ex-governador, explicou ao ContilNet que existem diferentes possibilidades de recurso, a depender do conteúdo da decisão que será tomada pelo tribunal.
Ou seja: uma eventual derrota no TRE não necessariamente encerra a candidatura.
Mas muda o jogo. E talvez seja justamente essa a maior expectativa em torno da sessão desta sexta-feira. Não apenas saber se Gladson Camelí poderá disputar o Senado, mas descobrir qual eleição o Acre terá a partir da decisão.
Porque, neste momento, a pergunta não é apenas quem vai ganhar a vaga. É quem estará, afinal, na disputa.
Bittar de olho
Márcio Bittar é um dos nomes que mais têm a ganhar com uma eventual saída de Gladson da disputa. Os dois aparecem no mesmo campo político, mas uma candidatura fora do caminho abriria espaço para Bittar disputar uma parcela maior do eleitorado que hoje tem Gladson como preferência.
Jorge Viana também observa
Jorge Viana também acompanha o julgamento com atenção. Uma eventual mudança no cenário pode ampliar suas possibilidades na corrida pelo Senado, principalmente em uma eleição marcada pela disputa de apenas duas cadeiras.
E Mara?
Mara Rocha é outro nome que pode se beneficiar de uma eventual alteração no cenário. Sem Gladson, a disputa tende a ficar mais aberta e pode aumentar a margem de crescimento dos candidatos que hoje aparecem atrás do ex-governador.
A conta que ninguém quer fazer
Há uma pergunta circulando na política local: para onde vão os votos de Gladson caso ele fique fora da disputa? A resposta pode ser decisiva para definir quem ocupará as duas cadeiras do Acre no Senado. Não existe, porém, garantia de que esse eleitorado migre em bloco para um único candidato.
O efeito dominó
O julgamento pode produzir um efeito dominó. Primeiro, mexe na eleição para o Senado. Depois, altera alianças, estratégias de campanha e distribuição de forças entre os grupos políticos. E, no caso de Gladson, pode chegar também à disputa pelo governo, justamente por causa de seu envolvimento direto na campanha de Mailza.