Operação contra milícia flagra pessoas ligadas a Mailza; maquiadora teria fugido
A Operação Algoritmo Cidadão, deflagrada pela Polícia Civil do Acre nesta quarta-feira (16), cumpriu seis mandados de busca e apreensão contra pessoas investigadas por suspeita de envolvimento em uma suposta estrutura de disseminação de fake news e ataques nas redes sociais durante a campanha eleitoral no Acre.
A investigação apura possíveis crimes relacionados à divulgação de notícias falsas e associação criminosa para ataques contra o candidato ao Governo do Acre Alan Rick (Republicanos). Na primeira matéria publicada pelo ContilNet, o delegado Rêmullo Diniz confirmou que esses são alguns dos fatos investigados pela operação.
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam computadores e aparelhos celulares, que deverão integrar a investigação e poderão auxiliar na identificação da origem, produção e circulação dos conteúdos investigados.
Entre os alvos identificados pela reportagem estão Viviane Silva dos Santos, apontada como advogada de Madson Cameli – marido da governadora Mailza Assis; Luciane da Cunha Nogueira, maquiadora pessoal da governadora; Gislaine de Abreu, servidora do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac); Willy Fernandes, que, conforme informações obtidas pela reportagem, atua no gabinete de um deputado estadual da base de apoio à Mailza na Aleac, e também ocuparia cargo CAS-5 na Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH), e Raimundo Nonato Vieira da Silva, que mora em Santa Catarina, segundo apurou a TV Gazeta (filiada da Rede Record no Acre).
A relação funcional ou pessoal dos investigados com integrantes do governo ou da campanha, por si só, não comprova participação em eventual crime. A responsabilidade individual de cada alvo ainda está sob investigação.
Maquiadora não é localizada durante operação
Durante o cumprimento das medidas, Luciene não foi localizada pelos policiais, segundo informações obtidas pelo ContilNet. A reportagem apurou que ela teria deixado o local durante a operação.
Até o momento, porém, a Polícia Civil não informou oficialmente as circunstâncias do episódio nem esclareceu se existe alguma outra medida judicial contra ela. Por isso, também não é possível afirmar, neste momento, que seja considerada foragida.
Os mandados fazem parte da investigação que tenta identificar os responsáveis por uma possível rede de perfis e conteúdos utilizados para atacar Alan Rick. A primeira apuração do ContilNet apontou ainda a presença de materiais gráficos da campanha de Mailza em locais alcançados pela operação.
Outro veículo que acompanha o caso informou que a investigação policial envolve perfis em redes sociais e que servidores comissionados aparecem entre pessoas identificadas durante a apuração. A reportagem também registra que celulares e computadores foram recolhidos para análise.
Polícia Civil não detalha operação
O ContilNet procurou a Polícia Civil para obter informações adicionais sobre os mandados, os materiais apreendidos e a situação dos investigados, mas a instituição não forneceu novos detalhes à reportagem até a publicação desta matéria.
Também não foram esclarecidos oficialmente quais crimes são atribuídos individualmente a cada um dos alvos nem qual seria a eventual participação de cada investigado na suposta estrutura.
A Operação Algoritmo Cidadão ocorre em meio ao acirramento da disputa eleitoral nas redes sociais. As investigações continuam, e os computadores e celulares apreendidos deverão ser analisados pela Polícia Civil.