Partido de Bolsonaro quer eleger 2 deputados no Acre e Bittar manda recado
O PL do Acre entrou oficialmente na corrida eleitoral de 2026 com uma meta ambiciosa para a Câmara dos Deputados: eleger dois representantes pelo Estado. A conta foi apresentada pelo senador Márcio Bittar durante o lançamento da chapa do partido, na última semana, e veio acompanhada de um recado pouco disfarçado para quem eventualmente conseguir uma cadeira em Brasília.
Bittar não falou apenas sobre votos. Falou sobre sobrevivência política.
Ao apresentar as chapas proporcionais, o senador fez questão de lembrar aos candidatos que eleição não se ganha sozinho. Segundo ele, quem for eleito pelo PL terá também a responsabilidade de ajudar aqueles que não conseguirem chegar à Câmara, mas que contribuíram para formar a legenda e garantir os votos necessários para eleger os mais competitivos.
“Quem me acompanha, eu dizia o que ia acontecer e aconteceu esse ano”, afirmou Bittar, antes de lembrar o caso de deputados que, segundo ele, chegaram ao fim do mandato procurando uma nova legenda porque não haviam cuidado das próprias chapas.
O recado, portanto, vai além dos candidatos que estarão na urna em outubro. É uma cobrança antecipada aos futuros eleitos.
Bittar citou como exemplo as dificuldades enfrentadas por parlamentares que ficaram sem espaço partidário após não conseguirem construir uma chapa competitiva para a eleição seguinte. Na leitura do senador, o fenômeno serve de alerta: deputado que ignora os companheiros de chapa hoje pode descobrir, quatro anos depois, que precisa deles para continuar na política.
“Eu espero que eu não esteja sozinho”, disse Bittar, ao afirmar que assumiu pessoalmente o compromisso de ajudar os candidatos a deputado federal do PL que não forem eleitos, caso consiga conquistar uma vaga no Senado.
A aposta do partido está também no chamado voto de legenda. Bittar lembrou que o PL obteve cerca de 4,8 mil votos de legenda nas eleições municipais de 2024, mesmo sem uma campanha específica para isso. Agora, a estratégia é aproveitar a força nacional do bolsonarismo para transformar esse número em votos suficientes para ampliar a bancada acreana.
A conta apresentada pelo senador é simples: se o partido conseguiu quase 4,8 mil votos “de graça” em uma eleição municipal, a expectativa é, com a candidatura presidencial de Jair Bolsonaro, ou a força eleitoral do seu campo político e uma campanha coordenada, pelo menos dobrar esse desempenho e chegar perto de 10 mil votos de legenda.
É aí que entra o principal ingrediente da estratégia do PL: nacionalizar a eleição.
A ideia é conversar diretamente com o eleitor bolsonarista e transformar a preferência pelo ex-presidente em voto também para os candidatos do partido no Acre. Bittar deixou claro que pretende usar a identidade nacional do PL como uma espécie de motor para puxar as candidaturas proporcionais.
O senador também revelou que o partido vai bancar a produção do programa eleitoral de toda a chapa, numa tentativa de garantir uma comunicação uniforme e evitar que os candidatos dependam de estruturas individuais para aparecer no horário eleitoral.
Mas a fala que mais chamou atenção talvez tenha sido justamente a que não tratou de eleição, mas do dia seguinte.
Ao dizer que vai cobrar dos eleitos o mesmo compromisso que assumiu com os não eleitos, Bittar estabeleceu uma espécie de contrato político informal: quem chegar lá não deve esquecer quem ajudou a construir o caminho.
E como está a chapa do PL para deputado federal?
Se a meta anunciada por Márcio Bittar é fazer dois deputados federais pelo PL, a pergunta seguinte é inevitável: quem está melhor posicionado dentro da própria chapa?
O partido montou uma nominata com nomes de diferentes regiões e perfis, mas dois candidatos aparecem, neste momento, como os principais nomes para disputar as duas vagas projetadas pela legenda: João Paulo Bittar e Jesus Sérgio.
João Paulo, filho de Márcio Bittar, vem sendo apresentado como um dos principais projetos do partido para a Câmara. Presidente municipal do PL em Rio Branco, ele já vinha construindo espaço político antes mesmo de oficializar a candidatura e ganhou projeção com a articulação de agendas de nomes nacionais da direita no Acre.
Do outro lado está Jesus Sérgio, ex-deputado federal pelo Acre. O tarauacaense ocupou uma cadeira na Câmara entre 2019 e 2023 e retorna à disputa com uma experiência eleitoral que nenhum outro integrante da chapa possui.
A própria pesquisa do Paraná Pesquisas divulgada em junho, embora mostre um cenário ainda bastante aberto para deputado federal, registrou Jesus Sérgio entre os nomes lembrados espontaneamente pelos eleitores, com 0,3%.
Mas a chapa não se resume aos dois.
Também estão na disputa Blandina Menezes, nome com força política no Alto Acre; Calcilda Barbosa; Júnior Betão; Éden Azevedo; Lindeberg da Citolab; professor Clemilton; e Terezinha, de Feijó.
É uma composição que mistura nomes com atuação regional, lideranças já conhecidas e candidatos que buscam construir uma primeira votação expressiva.
Mas é na chapa de deputado estadual que o PL se destaca e pode surpreender
Se na disputa para deputado federal o PL trabalha com a meta de eleger dois nomes, é na chapa para a Assembleia Legislativa que o partido parece ter montado uma composição capaz de produzir uma surpresa maior.
A nominata reúne nomes conhecidos no interior, políticos com mandato e figuras que já passaram pelo Legislativo. A expectativa dentro do partido é de eleger pelo menos três ou quatro deputados estaduais, uma conta que, se confirmada nas urnas, faria do PL uma das forças da próxima composição da Aleac.
A chapa começa pelos ex-prefeitos. Bene Damasceno, de Porto Acre; Sérgio Lopes, de Epitaciolândia; Maria Lucineia, de Tarauacá; e Kiefer Cavalcante, de Feijó, chegam à disputa carregando eleitorados construídos em diferentes regiões do Estado.
É justamente esses nomes diversos que podem fazer diferença em uma eleição proporcional. Em vez de concentrar a nominata na capital, o PL espalhou candidaturas com bases municipais distintas.
A chapa ainda conta com dois nomes que conhecem bem o caminho até a Assembleia: o atual deputado estadual Arlenilson Cunha, que permanece no PL e aparece novamente na disputa, e o ex-deputado Cadmiel Bonfim.
Outro nome que entra na conta é o vereador de Rio Branco Raimundo Neném, que tenta transformar a votação construída na Câmara Municipal em uma candidatura competitiva para a Aleac.
A lista se completa com a empresária Charlene Lima e o médico e professor da Universidade Federal do Acre, Giovanni Casseb, ampliando o leque de segmentos representados pela chapa.