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Pimenta no Reino

Quem pode ser o mais votado na disputa pela Aleac em 2026?

Por Matheus Mello, ContilNet 28/08/2026 05:00
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A disputa pelas cadeiras da Assembleia Legislativa do Acre pode ter, dentro de um único partido, uma das brigas mais interessantes das eleições de 2026. No PP, legenda do ex-governador Gladson Cameli e da governadora Mailza Assis, quatro nomes chegam à corrida com condições reais de brigar pelo posto de deputado estadual mais votado: Nicolau Júnior, Manoel Moraes, Maria Antônia e Samir Bestene.

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Não é pouca coisa. O PP elegeu três deputados estaduais na última eleição e, diante do tamanho das candidaturas que está reunindo, trabalha para ampliar a bancada. A questão é que, antes de disputar espaço com os demais partidos, os próprios candidatos do PP terão de medir forças entre si.

Nicolau larga na frente

Se fosse preciso apontar hoje um favorito para terminar a eleição no topo da lista, Nicolau Júnior seria o nome mais óbvio.

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O presidente da Assembleia Legislativa por vários mandatos já mostrou que sabe transformar estrutura política em voto. Em 2022, recebeu mais de 16 mil votos e foi o deputado estadual mais votado do Acre.

O lançamento de sua candidatura, na quarta-feira (26), deu uma nova demonstração do tamanho dessa estrutura. O Maison Borges ficou lotado, por dentro e por fora. Há algum tempo não se via, no cenário político local, um evento de candidatura com uma mobilização desse porte.

E não foi apenas quantidade. Estavam no mesmo palanque as principais lideranças do grupo político que hoje comanda o Estado: Mailza, Gladson e Márcio Bittar. Também apareceu Socorro Neri, que foi a deputada federal mais votada do Acre na última eleição.

Nicolau tem ainda uma característica que pesa numa eleição proporcional: trânsito político.

É uma liderança que consegue conversar com diferentes grupos, inclusive com setores que não estão necessariamente alinhados ao governo. Tem base consolidada nos municípios, conhece a política do interior e mantém relações tanto com governistas quanto com oposicionistas.

É esse conjunto que faz com que, hoje, a repetição do primeiro lugar de 2022 não pareça um cenário improvável.

Manoel Moraes pode crescer muito

Mas há um nome dentro do PP que merece atenção: Manoel Moraes.

Nas últimas eleições, ele ultrapassou a marca de 8 mil votos e terminou na quarta colocação entre os candidatos a deputado estadual. Sua principal força está no Alto Acre, especialmente em Xapuri, mas a base cresceu ao longo dos últimos quatro anos.

E há uma diferença importante entre o Manoel Moraes de 2022 e o de 2026: o tamanho do espaço político que ele ocupa hoje.

Líder do governo na Assembleia, Moraes passou a ter uma exposição maior e ampliou sua interlocução com diferentes regiões. É também uma das figuras mais próximas de Mailza e Gladson dentro da Casa.

A inauguração do comitê do parlamentar, nesta semana, reforçou justamente essa proximidade. A estrutura montada para a campanha mostra que ele não pretende apenas renovar o mandato. A aposta é em crescimento.

Se conseguir transformar a expansão da base em votos, Moraes pode ser um dos candidatos que mais subirão na lista em relação à eleição passada.

Maria Antônia conhece o caminho

No PP, porém, existe alguém que não precisa provar que sabe fazer campanha proporcional: Maria Antônia.

São vários mandatos consecutivos. E isso não acontece por acaso.

Na eleição passada, ela recebeu mais de 10 mil votos e terminou como a terceira deputada estadual mais votada do Acre. Mantém uma base especialmente importante em duas regiões estratégicas: Alto Acre e Juruá.

A força de Maria Antônia é justamente a longevidade. Enquanto alguns candidatos precisam construir uma base eleitoral, ela chega à eleição com uma rede política consolidada ao longo de anos.

Por isso, mesmo em uma disputa interna pesada dentro do PP, seu nome não pode ser retirado da lista de favoritos.

E Samir pode ser a surpresa

A quarta candidatura do PP é, talvez, a que mais carrega o elemento surpresa.

Samir Bestene entra na eleição depois de uma passagem pela Câmara Municipal de Rio Branco que mudou seu patamar eleitoral. Em 2024, foi o segundo vereador mais votado da capital, com quase 6 mil votos.

O desafio agora é outro: transformar uma votação concentrada em Rio Branco em uma candidatura competitiva em todo o Acre.

E é justamente nisso que Samir vem trabalhando.

Filho do secretário de Saúde, José Bestene, o vereador ampliou a presença no interior e tenta furar a bolha eleitoral da capital. Se conseguir fazer essa conversão — manter a força em Rio Branco e acrescentar uma votação relevante nos municípios — pode surpreender.

E há uma particularidade: ao contrário de Nicolau, Manoel e Maria Antônia, Samir chega sem ter disputado uma eleição para deputado estadual. É, portanto, a candidatura com maior potencial de crescimento — mas também a que carrega mais incógnitas.

A briga que o PP terá de administrar

O interessante dessa eleição é que o PP pode sair maior da disputa e, ao mesmo tempo, enfrentar uma divisão interna de votos.

Nicolau tem a maior votação anterior e uma estrutura política consolidada. Manoel chega fortalecido pelo crescimento da base e pelo espaço que conquistou na Assembleia. Maria Antônia tem cinco mandatos e uma máquina eleitoral construída ao longo de décadas. Samir traz a força de uma votação expressiva em Rio Branco e tenta expandi-la para o interior.

Os quatro não disputam apenas uma vaga. Disputam também o posto de principal nome do PP na Assembleia.

E, nesse caso, a pergunta sobre quem será o mais votado do partido acaba se confundindo com outra: quem será o deputado estadual mais votado do Acre em 2026?

Hoje, Nicolau parece ter a resposta mais provável.

Mas, numa eleição proporcional, crescer alguns milhares de votos pode mudar completamente o ranking. E o PP tem quatro candidatos com musculatura suficiente para fazer essa conta ficar bem menos previsível do que parece.

MDB mira reeleição de Tanízio e pode ganhar força com chapa competitiva

No MDB, a estratégia passa pela vaga de vice-governador, ocupada pela ex-deputada Jéssica Sales, mas a disputa proporcional também pode reservar um dos principais movimentos da sigla em 2026.

Entre os nomes com potencial para aparecer entre os mais votados está o deputado estadual Tanízio Sá, que vai em busca da reeleição. Ao longo dos últimos quatro anos, ele ampliou sua base eleitoral e chega à disputa com condições de aumentar a votação em relação à eleição anterior.

O desempenho de Tanízio pode ser importante não apenas para a própria reeleição, mas também para a composição da bancada do MDB. Uma votação expressiva do deputado pode ajudar a puxar outros nomes competitivos da legenda, como Marcus Alexandre e Antonia Sales, ambos com votações relevantes no currículo.

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