03/09/2026

Suspeito teria matado jovem no Acre por ciúmes e ficou com o corpo trancado por dias

Delegado Alcino Ferreira deu detalhes exclusivos ao ContilNet nesta quinta-feira (3)

Por Matheus Mello, ContilNet
Suspeito segue foragido/Foto: Reprodução

O delegado Alcino Ferreira revelou novos detalhes sobre a morte de Maria Ramona Araújo da Silva, de 18 anos, encontrada morta na última quarta-feira (2), dentro do apartamento onde morava, no bairro Conquista, em Rio Branco. Em entrevista exclusiva ao ContilNet, ele afirmou que a jovem foi morta com golpes de faca e enforcamento e que o principal suspeito, o argentino Daniel Nestor Gusman, permaneceu por dias no imóvel com o corpo.

Segundo o delegado, Gusman mantinha um relacionamento com Ramona e os dois moravam juntos havia cerca de quatro meses. O suspeito utilizava tornozeleira eletrônica e, conforme a investigação, teria cometido o crime entre a madrugada de domingo (30) e a segunda-feira (31).

Depois de matar a jovem, ele teria permanecido no apartamento e usado o próprio celular da vítima para enviar mensagens às irmãs, tentando fazer com que acreditassem que ela ainda estava viva.

“Ele manteve essa mulher em casa, morta, e com o celular dela passou a se passar por ela, a mandar mensagem para as irmãs”, relatou Alcino.

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A estratégia teria sido mantida durante os dias seguintes. De acordo com o delegado, o suspeito chegou inclusive a fazer contato com o motorista de aplicativo que havia levado Ramona para casa.

Alcino é titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP)/Foto: Reprodução

Alcino é titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP)/Foto: ContilNet

A jovem estava na casa de uma irmã e retornou ao apartamento de Uber. Para a polícia, esse deslocamento pode ter relação com o crime, já que a principal hipótese até o momento é de que Gusman tenha agido motivado por ciúmes.

“Ela voltou da casa da irmã num Uber. Pediu um Uber, ela estava na casa da irmã e voltou para casa no Uber”, explicou o delegado.

Ainda segundo Alcino, a investigação vai analisar as conversas e os dados armazenados no telefone da vítima para esclarecer o contato feito pelo suspeito com o motorista de aplicativo e verificar se houve alguma discussão ou outro elemento que ajude a explicar a motivação do crime.

O caso está sob responsabilidade da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), que deverá realizar a extração de dados do aparelho celular e aprofundar as diligências.

Corpo foi descoberto após forte mau cheiro

A descoberta do corpo ocorreu somente na quarta-feira, dias após a morte. Segundo o delegado, uma irmã de Ramona, que mora na mesma vila de apartamentos, passou em frente ao imóvel e sentiu um forte cheiro.

Inicialmente, ela teria imaginado que o odor vinha de lixo ou de algum outro material. A situação, porém, levantou suspeitas, e a família acabou descobrindo que Ramona estava morta dentro da residência.

Quando os policiais chegaram ao local, encontraram o corpo da jovem em avançado estado de decomposição.

“Ele estava fumando lá na porta da casa e a irmã mora na mesma vila. A irmã passou e sentiu um cheiro muito forte”, contou Alcino.

Após a descoberta, Daniel Gusman fugiu do local e rompeu a tornozeleira eletrônica. Ele permanece foragido.

Suspeito já foi condenado por matar esposa grávida

O caso ganhou ainda mais repercussão porque Daniel Nestor Gusman já havia sido condenado pela morte de outra companheira. Em julho de 2018, em Boa Vista, Roraima, ele matou a esposa venezuelana Betzabeth Miguelina Adam Daza, de 23 anos, que estava grávida de seis meses.

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Gusman foi preso dois meses depois no Acre, em setembro de 2018, quando tentava entrar no Brasil pela fronteira com o Peru, em Assis Brasil.

Em 2022, o Tribunal do Júri de Roraima o condenou a 24 anos de prisão em regime fechado pelos crimes de homicídio, aborto e ocultação de cadáver. A condenação apontou homicídio qualificado por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Agora, oito anos depois daquele crime, ele é novamente apontado como suspeito da morte de uma companheira. A Polícia Civil trata o assassinato de Maria Ramona como possível feminicídio.

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