O ex-governador Gladson Camelí terá sua candidatura ao Senado julgada na próxima sexta-feira (11) pelo Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC), conforme apurado pelo ContilNet junto a fontes do órgão responsável pelas eleições no estado.
Condenado a 25 anos e 9 meses de prisão pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), o político é o único dos oito candidatos ao Senado que ainda aguarda julgamento do registro. O Ministério Público Federal (MPF) já havia impugnado a candidatura com base nos critérios da Lei da Ficha Limpa.
A sessão que deve julgar o caso está prevista para ocorrer às 15h de sexta-feira e será conduzida pela presidente do TRE-AC, desembargadora Waldirene Cordeiro.
A relatoria do processo é do juiz titular do TRE-AC Thalles Vinícius, que assumiu o cargo em março deste ano.

Thalles Vinícius é o relator do caso/Foto: Reprodução
Ainda nesta terça-feira (8), o juiz rejeitou os embargos de declaração apresentados pela defesa do ex-governador no processo. O recurso buscava reverter pontos da decisão saneadora anterior, questionando regras de distribuição do processo e a validade de atos em caso de mudança de competência, além de pedir esclarecimentos sobre a inclusão de documentos e decisões judiciais supervenientes.
Ao analisar o pedido, o juiz Thalles Vinícius descartou qualquer omissão ou obscuridade no despacho contestado. Segundo o magistrado, o Regimento Interno do Tribunal atribui à Presidência apenas decisões administrativas relacionadas à distribuição cartorária, e não a definição jurisdicional sobre a competência de processos já em andamento, atribuição que cabe ao relator e ao Plenário.
Sobre a apresentação de provas, o relator destacou que cabe ao próprio candidato apresentar certidões e decisões atualizadas das instâncias superiores que comprovem eventuais alterações em sua situação jurídica, como no caso da Ação Penal nº 1.076/DF.
O juiz lembrou ainda que a legislação eleitoral permite a inclusão de fatos novos favoráveis até a data da diplomação, sem necessidade de autorização prévia do Tribunal.
O magistrado também reafirmou que, por se tratar de um pedido de registro com impugnação e notícia de inelegibilidade, o caso não pode ser decidido individualmente, de forma monocrática, e deve ser julgado obrigatoriamente pelo colegiado da Corte.
Além da presidente do TRE-AC e do relator do caso, a sessão deve contar com a participação do procurador regional eleitoral e procurador da República no Ministério Público Federal no Acre (MPF/AC), Vitor Teodoro; do desembargador Lois Arruda; e dos demais integrantes da Corte que participarão do julgamento.
Próximos passos
Se a candidatura de Gladson for indeferida pelo TRE-AC, como pede o MPF, o ex-governador ainda poderá recorrer da decisão. Em entrevista ao ContilNet, o advogado Erick Venancio, que atua na defesa de Camelí, explicou que existem diferentes caminhos recursais, que dependerão do conteúdo do acórdão.
“Pode recorrer primeiramente de forma interna no próprio TRE, via embargos de declaração; pode recorrer ao TSE via recurso ordinário; e ao STF via recurso extraordinário”, afirmou.
Segundo o advogado, porém, não é possível antecipar qual estratégia será adotada pela defesa, já que a escolha dependerá da fundamentação utilizada pelos magistrados no julgamento.
“A gente tem todas essas possibilidades. Aí isso vai depender muito do que consta no acórdão, de qual foi o teor do julgamento, qual foi a fundamentação. Não tem como dizer ‘ah, vai fazer primeiro isso, vai fazer aquilo’. Isso tudo tem todas essas variáveis”, explicou.
Venancio afirmou ainda que, mesmo em caso de indeferimento pelo TRE-AC, Gladson continuará na disputa enquanto o recurso estiver pendente de análise no Tribunal Superior Eleitoral.
“Mas o fato que é relevante é que a candidatura dele, mesmo com esse julgamento, que esse julgamento seja negativo, a candidatura dele vai seguir normalmente até o julgamento do TSE”, declarou.
O advogado também disse que, até o momento da entrevista, a defesa ainda não havia sido oficialmente intimada sobre a inclusão do processo na pauta de sexta-feira. Segundo ele, a informação sobre a data do julgamento chegou inicialmente por meio da imprensa.
“Não fomos intimados ainda, não. […] A gente é intimado via mural eletrônico e, no mural eletrônico, só consta um processo — pelo menos até um minuto atrás, que eu pedi para consultar. Só consta um processo na pauta”, disse.
Apesar disso, Venancio afirmou que a data não altera a preparação da defesa. “Para a gente isso aí não tem relevância. A gente só quer ser intimado adequadamente e, seja amanhã, seja sexta, seja segunda-feira, terça, a gente vai estar lá.”


