Candidatos a federal formam ‘exércitos’ de estaduais na corrida por Brasília
A eleição para deputado federal no Acre tem uma particularidade que costuma passar despercebida quando se olha apenas para as pesquisas: a força de uma candidatura também pode ser medida pela quantidade de candidatos a deputado estadual que decidiu carregar seu número para as ruas.
É nesse mapa que aparecem três nomes com redes de apoio especialmente extensas: Fábio Rueda, pelo União Brasil; Socorro Neri, pelo Progressistas; e Ney Amorim, pelo MDB.
São três estratégias diferentes para um mesmo problema eleitoral: como transformar alianças partidárias em votos distribuídos por diferentes bairros, municípios e grupos políticos.
Rueda e a construção de uma chapa
No União Brasil, Fábio Rueda chega à eleição com uma vantagem que não surgiu por acaso: ele ajudou a construir a própria chapa que agora lhe serve de sustentação.
Entre os candidatos da nominata que declararam apoio à sua candidatura estão seis nomes: Fagner Calegário, Adailton Cruz, Michelle Melo, Whendy Lima, Pablo Bregense e Rutênio Sá. Os cinco primeiros disputam a reeleição na Assembleia; Rutênio é vereador de Rio Branco.
A composição do União Brasil foi costurada ao longo do ano, inclusive com a chegada de deputados estaduais à legenda. O movimento teve participação direta de Rueda, que acabou transformando a nominata em uma espécie de rede eleitoral em torno de sua candidatura federal.
O tamanho dessa rede ficou mais visível durante a campanha. Em uma caminhada realizada no bairro 6 de Agosto, em Rio Branco, Rueda apareceu ao lado de Fagner Calegário e Whendy Lima, em uma mobilização que reuniu candidatos proporcionais e militantes.
E a rede não termina no União Brasil
Rueda também conta com apoios fora da própria nominata, entre eles o de Clodoaldo Rodrigues, ex-prefeito de Cruzeiro do Sul e candidato à reeleição para a Assembleia.
É uma engenharia que tem uma característica clara: Rueda não está apenas procurando candidatos estaduais para pedir votos para ele. Ele participou da formação de uma chapa que, agora, também trabalha para sua candidatura.
Neri e a dobradinha com Nicolau
No Progressistas, a lógica é diferente. Socorro Neri já parte de uma posição eleitoral consolidada: é a atual deputada federal mais votada do Acre e busca a reeleição.
Ao lado dela está um dos nomes de maior peso da Assembleia Legislativa: Nicolau Júnior, presidente da Casa e candidato à reeleição.
A dobradinha não é novidade. Os dois repetem a parceria que marcou a eleição anterior, quando ambos terminaram como os mais votados em suas respectivas disputas.
A campanha deste ano voltou a colocá-los lado a lado. No lançamento das candidaturas, Nicolau apareceu ao lado de Neri, Mailza Assis e dos candidatos ao Senado da coligação.
Mas Nicolau não é o único nome da Assembleia a dividir palanque com Socorro.
Na própria nominata do PP, ela tem o deputado André Vale. E, dentro do arco de alianças que sustenta Mailza Assis, a rede se amplia para outros partidos.
No PDT, por exemplo, estão nomes como o deputado estadual Luis Tchê, candidato à reeleição, além de Rocilda Padeiro e Rosana Cavalcante.
É justamente aí que a candidatura de Neri ganha outra característica: ela consegue circular por diferentes grupos que compõem a base eleitoral da governadora.
O desenho da coligação majoritária ajuda a explicar essa proximidade. A aliança de Mailza reúne União, Federação Progressista, MDB, PL, PDT e Democratas, criando um ambiente em que candidatos proporcionais de diferentes partidos acabam compartilhando eventos, palanques e estruturas de campanha.
Ney e a força da casa
No MDB, o nome que aparece com uma rede significativa de apoios entre candidatos a estadual é Ney Amorim, ex-secretário de Esportes e ex-presidente da Assembleia Legislativa.
A lista inclui nomes de peso do grupo governista.
Do PP, Ney tem o apoio do líder do governo na Assembleia, Manoel Moraes, e da deputada Maria Antônia, uma das parlamentares mais antigas da Casa.
Dentro do próprio MDB, a lista ganha outros dois nomes conhecidos da política acreana: o ex-prefeito de Rio Branco Marcus Alexandre e o deputado estadual Tanízio Sá, candidato à reeleição.
É uma composição que coloca Ney em uma posição peculiar dentro da aliança de Mailza.
Ele não depende exclusivamente da estrutura do MDB para fazer campanha. Seu trânsito se estende para outros partidos que compõem a coligação e, sobretudo, para o núcleo político mais próximo da governadora.
A presença de Ney em eventos do grupo de Mailza já apareceu na campanha. No lançamento da candidatura de Manoel Moraes, por exemplo, o ex-secretário esteve ao lado de integrantes da chapa majoritária e de outros candidatos proporcionais.
O que os três têm em comum
Rueda, Neri e Ney chegam a setembro com uma característica em comum: não estão disputando a eleição federal sozinhos.
Cada um construiu uma rede própria de candidaturas estaduais.
Rueda tem uma concentração forte dentro do União Brasil e ainda busca apoios fora da legenda. Neri combina a força da própria nominata do PP com a parceria de candidatos de partidos aliados. Ney, por sua vez, se beneficia de uma rede que atravessa o MDB e chega a diferentes setores da base de Mailza.
É importante separar, porém, apoio político de transferência automática de votos. Um candidato a deputado estadual pode pedir voto para um federal, mas cada campanha tem sua própria base, estrutura e estratégia. Não existe uma conta matemática capaz de transformar alianças em votos.
Ainda assim, em uma eleição em que cada candidatura federal precisa disputar espaço em um universo proporcional relativamente restrito, ter dezenas de campanhas estaduais trabalhando na mesma direção pode fazer diferença na exposição do nome.