Muito alĂ©m do futebol, Michael celebra vida renovada no Flamengo: “Ă€s vezes, quem mais ri Ă© quem mais sofre!”

Por Marina, ContilNet 22/11/2021 Ă s 21:36
Michael é o artilheiro do Flamengo no Brasileirão, com 13 gols — Foto: Pedro Martins / Foto FC

O sorriso sempre esteve ali. A alegria não. O talento sempre esteve ali. O desempenho não. O fantástico mundo do futebol sempre esteve ali. O equilíbrio na vida real não.

Os gols e dribles desconcertantes garantiram a Michael o posto de xodó da torcida do Flamengo, mas o atacante irreverente que vive a expectativa da final da Libertadores tem muito mais a comemorar no próximo sábado em Montevidéu. O Palmeiras é somente um rival a mais para quem carrega em gestos e palavras a vitória sobre a depressão.

Uma das armas de Renato Gaúcho na busca pelo tricampeonato da América, Michael é daqueles que trocam clichês por respostas surpreendentes em uma entrevista. Tanto que, em bate-papo com o ge, deixou claro: não se vê como titular se Arrascaeta, Everton Ribeiro, Bruno Henrique e Gabriel estiverem à disposição. Postura de quem enxerga um jogo de futebol como apenas mais uma oportunidade de se divertir, seja por um ou 90 minutos.

O jeito “maluco”, como ele mesmo se define, nĂŁo esconde a personalidade forte de quem encara os problemas da vida com mais consciĂŞncia do que encara os zagueiros:

“Do nada, faço um trem que nem eu sei e acontece. Quando o cara está confiante, faz coisas que nem ele sabe. Se eu nem sei para onde vou cortar, como o marcador vai saber?”

 

Quando fala de desafios da vida real, Michael aprendeu o que fazer conscientemente. Depois de superar seus prĂłprios fantasmas, como revelou no podcast “Barbacast”, usa a representatividade para ligar o alerta para quem sofre com transtornos como depressĂŁo e ansiedade:

“Venci, graças a Deus! Tomei remĂ©dio? Tomei. Mas venci. Hoje, sou um cara um pouco diferente, mas com o mesmo carisma e amizade que eu sempre tive. Ă€s vezes, quem mais sorri Ă© quem mais sofre, mas sofre calado”

 

– Sou grato a Deus, ao clube, aos meus mĂ©dicos, minha mulher… Estava naquela Ă©poca do “fique em casa” e eu trancado. Eu sou hiperativo, estava ficando doido. E Deus me ajudou. Depois de tudo isso, viver esse momento Ă© maravilhoso.

Em 20 minutos de conversa divertida, mas nĂŁo menos sĂ©ria, Michael falou sobre a boa fase, a origem do bordĂŁo “quando está feio, esquece”, a recuperação do equilĂ­brio entre corpo e mente e das expectativas para a final da Libertadores. Flamengo e Palmeiras disputam o tĂ­tulo mais importante das AmĂ©ricas no sábado, Ă s 17h (de BrasĂ­lia), no estádio Centenário, em MontevidĂ©u.

Confira a Ă­ntegra da entrevista:

Ansiedade para decisĂŁo

 

– Sempre sonhei em disputar a Libertadores e estou feliz pela primeira oportunidade de disputar a final. Claro que fico apreensivo querendo que chegue o dia, mas nĂŁo podemos esquecer o Brasileiro. Foco em cada partida, porque o amanhĂŁ pode nĂŁo existir. Tenho que aproveitar o hoje para chegar ao dia 27 inteiro e bem.

Tem chances de ser titular?

 

– Ainda sou (reserva). NĂŁo (tenho esperanças de ser titular). Primeiro, por ser um cara que respeita muito os companheiros. Respeito a histĂłria e o futebol que cada um tem. Estou aqui para agregar, para acrescentar. Vou dar o meu melhor, seja um minuto, 10, 45, 90… Nunca quis menosprezar e ser melhor que os outros. Quero contribuir. Claro que sei da importância que tenho para o grupo hoje, mas sei tambĂ©m dos meus companheiros e mantenho meu pensamento.

“Hoje, eu sou reserva dos quatro melhores atacantes do Brasil. Ah, mas tem melhor? A minha opiniĂŁo Ă© que eles sĂŁo os quatro melhores. Eu trabalho para um dia ser como eles ou atĂ© melhor, mas sabendo respeitar e trabalhar”

 

Causas do bom momento

 

– FĂ©! Se nĂŁo fosse a fĂ© em Deus, acho que nĂŁo teria conseguido. O Flamengo como um todo, comissĂŁo, jogadores, torcida… Sempre recebi crĂ­ticas, ficava chateado com algumas, outras nĂŁo. Sempre discernia a boa e a ruim, a construtiva e a destrutiva. E nunca abaixei a cabeça. O carinho que esse clube aqui depositou em mim, junto com minha fĂ© e dedicação, me permitiu entregar o melhor. NĂŁo sou um cara que pensa individual, penso coletivo. Quero ganhar par ou Ă­mpar ou Libertadores, mas respeitando a todos e os momentos ruins. Nunca vou errar querendo errar, eu quero acertar. De tanto querer acertar, Ă s vezes vou errar. Pode ter certeza que vou tentar do minuto 1 ao 90. Esse Ă© meu diferencial. NĂŁo coloco a dĂşvida na cabeça. Se eu errar, ligo o f… e vou embora.

ConteĂşdo Original / Fonte: GLOBO ESPORTE

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