Nos campeonatos infantis, ocorridos na década de 1980, no campinho de areia do Maracutaia, localizado no espaço da Fundação do Bem Estar Social do Acre (Funbesa), um craque promissor, apelidado de Cézar Limão, já chamava atenção pela elegância a qual tratava a senhora bola.
Nascido em Rio Branco-AC, dia 23 de julho de 1969, CĂ©zar LimĂŁo começou sua trajetĂłria futebolĂstica vestindo a camisa do SĂŁo Paulo, equipe infantil do saudoso desportista Osmar Correa, o GalvĂŁo Bueno do Maracutaia, que narrava jogos numa cabine improvisada e instalada no alto de uma seringueira Ă beira do campo.
O futebol fino o levou para outras três boas equipes que disputaram nos anos seguintes a competição: Flamenguinho do Cosmo (1982), Santa Cruz do Sr. Dário D’Avila (1983) e Vasquinho do Zequinha (1984).
Na busca de novos horizontes, em 1983, Cézar Limão e amigos ficaram sabendo de uma peneira na categoria denominada dente de leite que ocorreria no Juventus e então resolveram ir a pé até o Clube do Povo, mas apenas ele foi aprovado. “Eu acredito que levei até um pouco de sorte, pois eu já era conhecido dos campeonatos da Funbesa”, lembrou ele.

Carreira iniciada na base do Juventus e Rio Branco
César Limão desfilou o fino do futebol por três temporadas na base do time juventino (1983, 1985 e 1986) e uma no Estrelão (1984), onde foi campeão, antes da estreia na equipe principal do Juventus em 1987. Segundo ele, não foi fácil garantir um espaço no elenco de estrelas do Juventus. “Fomos formados dentro de uma geração com grandes atletas e de vasta referência no nosso futebol”, disse orgulhoso Cézar Limão.
O jogo de estreia de Cézar Limão pelo time principal do Clube do Povo ocorreria ainda na época do amadorismo, precisamente em 1987, contra o Atlético-AC.
“Entrei aos 30 minutos do segundo tempo, quando o Juventus perdia por 1 a 0. Logo na primeira vez que toquei na bola quase deixei tudo igual no placar, mas a bola passou tirando tinta da baliza superior do grande goleiro Tidal. Em seguida, o Neivo foi ao fundo pela esquerda, do lado onde ficava a torcida do Juventus, e cruzou à meia altura. Dominei a bola, antecipando a defesa e, com um toque sutil, a coloquei com a parte interna do pé direito no canto esquerdo do Tidal para empatar o jogo. Logo em seguida, em outro cruzamento do Neivo, o Vidal Batatinha fez o gol da virada juventina”, relembrou o ex-meia-atacante.

Artilharia, trĂŞs tĂtulos e o fim da carreira aos 28 anos
Depois de disputar o segundo estadual com a camisa do Juventus, na temporada de 1988, CĂ©zar LimĂŁo fez sua estreia numa edição de CopĂŁo da AmazĂ´nia. O torneio foi dividido em dois grupos e a chave juventina foi disputada na cidade de Ji-Paraná (RO). O Juventus terminou na segunda posição e o AtlĂ©tico-AC levou o tĂtulo da chave, mas acabou perdendo a decisĂŁo diante do Trem-AP.

No ano seguinte, CĂ©sar LimĂŁo migrou para o IndependĂŞncia, onde fez sua estreia como atleta profissional. O tĂtulo nĂŁo veio, mas CĂ©zar LimĂŁo cravou seu nome na histĂłria do futebol acreano ao dividir a artilharia do primeiro campeonato estadual de profissionais com Nilson, do Rio Branco, ambos com quatro gols. O retorno para o Juventus veio no ano seguinte, quando CĂ©zar LimĂŁo conquistaria seu primeiro tĂtulo na elite do futebol local.


Na temporada de 1991, Cézar Limão vestiu as camisas do Rio Branco e do Independência. No Estrelão, ele fez parte do time que fechou a competição na terceira posição. Já pelo Tricolor de Aço, Limão disputou o Campeonato Brasileiro da Série B.

Nos anos de 1992 e 1993, CĂ©zar LimĂŁo teve duas grandes temporadas, conquistando o tĂtulo estadual com as cores das camisas do Rio Branco e do IndependĂŞncia, respectivamente.

Na temporada de 1994, LimĂŁo nĂŁo teve muito a comemorar. Foi reserva do IndependĂŞncia na primeira partida da Copa do Brasil diante do Ariquemes-RO. No retorno ao Acre aceitou um convite do Gama-DF, entĂŁo comandado por Jota Alves, ex-tĂ©cnico do Rio Branco. No entanto, ele nem chegou sequer a estrear pelo clube candango com a queda do treinador. “Com a saĂda do Jota Alves eu peguei minhas coisas e resolvi retornar ao Acre”, relembrou o ex-jogador.
CĂ©zar LimĂŁo deu um tempo na carreira futebolĂstica e retornou aos gramados somente na temporada 1996 para vestir novamente a camisa do Rio Branco, Ăşltimo clube brasileiro na carreira, pois no ano seguinte, ele recebeu um convite para jogar no Leça de Portugal, mas ficou pouco tempo devido uma grave lesĂŁo de meniscos e ligamentos dos dois joelhos, encerrando a carreira aos 28 anos.
Momentos inesquecĂveis, seleção ideal e os melhores parceiros
Sobre momentos inesquecĂveis na carreira, LimĂŁo citou a estreia com gol na vitĂłria sobre o AtlĂ©tico-AC, assim como um lance espetacular seu com a camisa do IndependĂŞncia diante do Clube do Remo, no estádio BaenĂŁo, em BelĂ©m, em 1991, pelo Campeonato Brasileiro da SĂ©rie B. “Certo momento do jogo dei uma arrancada de uma área atĂ© a outra com a bola nos pĂ©s e, mesmo podendo finalizar o lance, preferi passar a bola para um companheiro que chutou a bola sobre a baliza”, relembrou o ex-jogador.

Com formação acadêmica no curso de geografia da Universidade Federal do Acre (Ufac) e hoje trabalhando como funcionário público, Cézar Limão explicou que o esvaziamento das arquibancadas em nossos estádios está associado a vários fatores, onde citou que a facilidade de assistir variados jogos em emissoras de TV aberta e fechada deixou o torcedor acomodado no sofá de casa.
É, somando a tudo isso, a ausĂŞncia de justiça social e a pĂ©ssima distribuição de renda no paĂs, tambĂ©m associado Ă s questões de racismo, homofobia, xenofobia e entre outros tipos de violĂŞncias, seja nos estádios ou aos seus arredores, tem contribuĂdo para afastar o torcedor.
Outro fator, não menos importante, segundo o ex-meia-atacante, é a ausência de investimentos na base. “Quero deixar claro que a boa base é primordial para a formação de um grande jogador, atleta e homem, pois também é uma escola. E, como escola, é a extensão em todos os sentidos, humanos e sociais. Portanto, o torcedor também vai aos estádios para ver grandes artistas, mas na atualidade ele sente essa falta”, opinou Cézar Limão.
A respeito da sua seleção ideal, o “Pelé do Maracutaia” não fez arrodeio e elegeu a seguinte formação: Klowsbey; Toninho, Paulão, Neórico e Mauro; Emilson Brasil, Carioca, Carlinhos Bonamigo e Dadão; Mariceudo e Roberto Ferraz. Sobre o melhor dirigente do futebol local ele citou o saudoso empresário Sebastião de Melo Alencar (Rio Branco). E quanto ao melhor árbitro, ele apontou o saudoso José Ribamar Pinheiro de Almeida.
Quanto aos melhores parceiros em campo, CĂ©zar LimĂŁo elegeu um sexteto formado por RenĂsio, Carioca, Mariceudo, Carlinhos Bonamigo, Artur Oliveira e Jader.



