Segunda etapa da Operação Disclosure cumpre mandados de busca em São Paulo e no Rio de Janeiro; ordem judicial determina bloqueio histórico de bens.
O desdobramento das investigações sobre um dos episódios mais complexos da história do mercado de capitais brasileiro ganhou um novo e robusto capítulo.
A Polícia Federal colocou em prática medidas que ampliam o espectro de investigados, alcançando setores que iam além do corpo diretivo diretamente ligado ao dia a dia da companhia varejista.
O objetivo principal da corporação é mapear como as inconsistências contábeis foram sustentadas e mascaradas ao longo de sucessivos exercícios fiscais.
A nova ofensiva mira a coleta de documentos e dispositivos eletrônicos que possam detalhar o fluxo de decisões que ocultou o real endividamento da empresa perante investidores e órgãos reguladores.
Os novos alvos da PF, os eixos da fraude e o bloqueio bilionário
A ação deflagrada busca aprofundar as linhas de apuração abertas no início das vistorias técnicas há dois anos.
De acordo com as informações apuradas pela jornalista Mirelle Pinheiro para o portal METRÓPOLES, a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Disclosure para apurar a fraude contábil estimada em R$ 24 bilhões nas Lojas Americanas.
A reportagem do veículo detalha que, nesta nova etapa, os mandados de busca e apreensão miram acionistas de referência, como Paulo Lemann e Carlos Alberto Sicupira, além de representantes de grandes bancos privados.
O portal destaca que a Justiça Federal autorizou o sequestro de bens e valores de até R$ 54 bilhões para garantir a futura reparação dos prejuízos causados ao mercado financeiro.
A apuração se concentra em mecanismos específicos de maquiagem de balanço, como o uso indevido de operações de antecipação de pagamentos a fornecedores junto a bancos e a criação de incentivos comerciais fictícios sem lastro real.
Quem são os principais alvos da segunda fase da Operação Disclosure da PF?
Nesta nova etapa, a Polícia Federal ampliou o foco para além dos ex-diretores da Americanas.
Entre os alvos das buscas cumpridas estão acionistas de referência da companhia, como Carlos Alberto Sicupira e Paulo Lemann (filho do empresário Jorge Paulo Lemann), além de representantes e funcionários de alguns dos principais bancos privados do Brasil.
Como funcionavam os dois eixos da fraude apontados pela Polícia Federal?
O primeiro eixo envolve operações de “risco sacado”, em que bancos antecipavam o pagamento a fornecedores; a PF investiga se esses valores foram contabilizados incorretamente para esconder o real endividamento.
O segundo eixo envolve verbas de propaganda cooperada (VPC), que consistiam em registros de incentivos comerciais fictícios e sem lastro para inflar artificialmente as receitas nos balanços.
Qual o valor total do bloqueio determinado pela Justiça Federal neste caso?
A Justiça Federal autorizou o sequestro de bens e valores de até R$ 54 bilhões dos investigados.
Esse montante expressivo foi calculado pelas autoridades com base na estimativa das supostas fraudes contábeis estruturadas e apontadas nos laudos periciais desenvolvidos ao longo do inquérito.

