Há 40 anos, era comum nordestinos tentarem a vida fora da terra natal. Naquela Ă©poca, seu AntĂ´nio Barros, de 75 anos, foi um dos que deixaram a famĂlia para trabalhar em outras cidades com o objetivo de depois voltar.
SĂł que os planos do seu AntĂ´nio nĂŁo saĂram bem como ele planejava. Casado, pai de quatro meninas e dois meninos, ele deixou o sĂtio Bom Jesus, onde vivia, no distrito de Santa Filomena, municĂpio de Ouricuri, em Pernambuco, em 22 de julho de 1982 e, sĂł reencontrou a famĂlia na semana passada, em Campo Grande.
“Já tinha procurado um jeito de voltar. Mas as condições financeiras nĂŁo deixavam. AtĂ© que Deus deu um jeito e elas me encontraram. Eu estou muito feliz que minhas filhas foram me buscar. Feliz, feliz demais. Pra mim, foi sĂł vitĂłria de Deus”, fala AntĂ´nio, emocionado.
A famĂlia sempre quis saber do seu AntĂ´nio, mas foi a atitude de uma das netas que fez com que todos se movimentassem para achar o aposentado que estava trabalhando como ajudante de serviços gerais em uma empresa da capital sul-mato-grossense.
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Fotografia das filhas que AntĂ´nio tinha com ele desde que saiu de Pernambuco — Foto: Arquivo de famĂlia
“Desde pequena ouvia a histĂłria de que ele era uma pessoa muito envolvida em reuniões das comunidades locais. Uma das pessoas mas desenvolvidas que tinha aqui na regiĂŁo e que em umas das viagens que ele fazia ele nĂŁo mas retornou”, conta Ana Paula.
Ela e uma das filhas de seu AntĂ´nio passaram a correr atrás de informações sobre o paradeiro dele, atĂ© que descobriram o endereço. AĂ, no grupo da famĂlia, a discussĂŁo era: como abordar AntĂ´nio? Como ele reagiria? Atravessar o ‘mapa’ para encontrá-lo, e se nĂŁo der certo?
Enquanto a discussĂŁo rolava solta no grupo, as irmĂŁs Maria Adnair e Maria Aparecida Alencar, compraram passagem aĂ©rea e desembarcaram na capital no dia 15 de setembro. ‘Bateram’ na casa onde ele morava com a nova mulher, falecida há cerca de um mĂŞs, e enteados, e lá ficaram atĂ© domingo (19), quando voltaram com o pai para Pernambuco.
“A gente nĂŁo saiu para buscar. A gente queria ver. Os dias foram passando. Ele falou que vinha com a gente e aĂ foi sĂł alegria. A gente saiu daqui [de PE] sĂł com o endereço. NĂŁo sabia o que ia encontrar. NĂŁo tinha notĂcia dele. NĂŁo sabia se ele estava bem, se tinha casado, como que estava. A gente sĂł pegou o voo e foi”, conta Maria Adnair. “Ele falou: eu vou com minhas filhas. E a gente trouxe com o maior carinho do mundo”

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