De acordo com ele, o laboratório já isolou a cepa e agora se prepara para realizar testes que avaliarão se a atual vacina da gripe aplicada na população brasileira funciona contra a cepa. “Acredito que teremos essa resposta em duas semanas”, prevê Fernando. A vacina da gripe é atualizada anualmente e, como a variante é uma novidade, não há certeza se o imunizante que foi aplicado durante este ano funcionará para prevenir as infecções.
Também ainda não é certeza que a cepa seja a predominante no Rio de Janeiro neste momento devido a um número limitado de amostras do vírus sequenciadas geneticamente. Nesse contexto, não é possível dizer que a H3N2 Darwin é mais transmissível que as outras versões do Influenza.
Epidemia fora de hora
A infectologista Ana Helena Germoglio explica que o H3N2 é um vírus conhecido e, dentro dele, há vários subtipos. “A última vacina de influenza tinha o subtipo Hong Kong, mas não o Darwin”, conta a especialista. O virologista Bergmann Ribeiro, da Universidade de Brasília (UnB), acredita que, mesmo assim, os imunizantes provavelmente têm algum efeito contra o novo subtipo. “As vacinas deviam ser eficientes contra esse vírus que está passando agora”, afirma.
Surtos e epidemias do vírus da gripe não são inéditos, mas chamam a atenção dos especialistas pela época do ano: normalmente, os casos aparecem durante o inverno. Bergmann acredita que a alta nos diagnósticos neste momento, às portas do verão, pode ter sido causada pela diminuição do uso de máscaras e a volta dos eventos e aglomerações.
A infectologista explica que a vacina da influenza não oferece proteção por muito tempo, e é eficaz por cerca de 6 meses – por isso, a campanha nacional de imunização acontece entre março e abril, pouco antes da época normal de alta nos casos. “O problema é que fomos pegos de calça curta, o vírus chegou em uma época em que não era esperado”, conta a médica.
Influenza x Covid-19
Os sintomas da síndrome respiratória causada pelo vírus Influenza são bastante parecidos com os da Covid-19 (febre, dor no corpo, fadiga, inflamação da garganta, coriza e tosse). Na maioria dos pacientes, os sinais da doença passam em cerca de 7 dias, e a letalidade é considerada baixa, entre 0,1% e 0,2%. Em comparação, a chance de morte por Covid-19 fica entre 1% e 2%.
“Quando a gente compara a influenza com a Covid-19, o coronavírus dá mais casos graves. Mas, quando olhamos para os quadros leves, na influenza os sintomas são mais pronunciados. A H3N2 Darwin não é potencialmente mais perigosa, mas não temos imunidade para ela e, por isso, estamos com mais infectados nesta temporada”, explica Ana Helena.
Para evitar a contaminação, os cuidados são os mesmos daqueles contra o Sars-CoV-2: higienizar as mãos, manter o distanciamento físico, evitar aglomerações e apostar no uso de máscara. A qualquer sinal de sintomas, a recomendação é fazer a testagem para diferenciar as infecções e ficar em casa para não transmitir o vírus.