Ação desarticula rede criminosa de lavagem de dinheiro que movimentava criptoativos; alvos do grupo haviam sido sancionados pelo governo dos Estados Unidos nesta semana.
A Polícia Federal deflagrou uma grande ofensiva nesta sexta-feira para desmantelar o braço financeiro de uma das maiores organizações criminosas do país. Focada em sufocar a estrutura de lavagem de dinheiro blindada por transações internacionais e ativos digitais, a operação surpreendeu os investigados em suas residências e recolheu provas contundentes de movimentações milionárias em espécie.
O avanço das investigações ocorre em paralelo a um cerco internacional coordenado contra o fluxo financeiro do tráfico de drogas.
Prisões, dinheiro em espécie e a apuração dos fatos
As buscas desta manhã revelaram como o grupo mantinha grandes volumes de recursos físicos armazenados fora do sistema bancário tradicional.
De acordo com as informações apuradas pela jornalista Júlia Queiroz para o portal METRÓPOLES, a Operação Exchange, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã desta sexta-feira (03/07), localizou um saco de dinheiro na casa de um dos alvos em São Paulo.
A reportagem detalha que a ação mobilizou mais de 50 policiais federais para cumprir 13 mandados de busca e apreensão e 11 de prisão temporária expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo.
Durante as diligências, as autoridades prenderam Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, suspeita de atuar como intermediária na coleta de vultosas quantias para o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Stella e outro investigado, Victor Henrique de Oliveira Shimada que permanece foragido, foram incluídos na lista de sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos na última quarta-feira (1º/7).
Logística do crime: Criptoativos e elo com patrocínio no futebol
Como a organização agia
O esquema ilegal utilizava uma estrutura financeira complexa e diversificada para ocultar a origem do dinheiro proveniente do tráfico internacional:
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Os investigados realizavam transferências ilícitas por meio de criptoativos (criptomoedas) para dificultar o rastreamento das autoridades.
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O grupo operava com o transporte rodoviário de dinheiro em espécie e realizava movimentações bancárias de alto valor entre laranjas, pessoas físicas e empresas de fachada.
O papel dos líderes e sanções internacionais
De acordo com os investigadores, Stella atuava no suporte logístico essencial da rede. Já Victor Shimada é apontado pelo governo norte-americano como um elo fundamental com o PCC. Ele é sócio de uma empresa investigada por envolvimento em um escândalo de patrocínio no Corinthians e já havia sido preso em janeiro de 2025.
As sanções impostas pelo governo Trump bloquearam os bens de três empresas brasileiras e uma portuguesa ligadas ao grupo, proibindo cidadãos americanos de fazer negócios com os alvos. Em nota, a defesa de Victor Shimada informou que ainda não havia tido acesso às decisões judiciais. A defesa de Stella não foi localizada.
O que foi a Operação Exchange realizada pela Polícia Federal?
A Operação Exchange foi uma ação deflagrada pela Polícia Federal na manhã de 3 de julho de 2026 para desarticular uma rede criminosa especializada em lavar dinheiro para o PCC. O grupo utilizava criptoativos, transporte de dinheiro vivo e empresas de fachada para movimentar recursos do tráfico.
Quem é Stella Stefanie, presa pela PF em São Paulo?
Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira é suspeita de ser a responsável pelos serviços logísticos essenciais e intermediária na coleta de grandes quantias de dinheiro para a facção criminosa PCC. Ela foi presa e também recebeu sanções econômicas do governo dos Estados Unidos.
Qual é a ligação de Victor Shimada com o futebol brasileiro?
Victor Henrique de Oliveira Shimada, que está foragido, é dono da Victory Trading, empresa investigada por envolvimento em um escândalo no Corinthians. O governo norte-americano relembrou que ele foi preso em 2025 suspeito de lavar dinheiro ilícito por meio de um esquema fraudulento de patrocínio esportivo.

