Segundo a denĂșncia do MPMG, o servidor atuava como diretor de segurança de penitenciĂĄria no Vale do Rio Doce e usou o cargo para exigir vantagem indevida.
O MinistĂ©rio PĂșblico de Minas Gerais (MPMG) ofereceu uma denĂșncia formal contra um policial penal acusado de cometer crimes de corrupção dentro do sistema prisional do estado.
O servidor, que exercia a função de diretor de Segurança da PenitenciĂĄria DĂȘnio Moreira de Carvalho, localizada em Ipatinga, no Vale do Rio Doce, teria cobrado a quantia de R$ 20 mil de um detento para assegurar a permanĂȘncia dele no setor de marcenaria da unidade.
De acordo com as investigaçÔes do órgão ministerial, os fatos ocorreram ao longo do ano de 2025.
A permanĂȘncia na marcenaria Ă© disputada e considerada altamente vantajosa dentro da realidade carcerĂĄria, uma vez que o trabalho oferece ao interno o benefĂcio da remição de pena (diminuição dos dias de condenação) e acelera o processo para a progressĂŁo de regime.
Celular liberado para negociar o pagamento
A denĂșncia do MPMG revela detalhes explĂcitos de como o esquema criminoso operava. Para garantir que o montante fosse pago, o entĂŁo diretor teria facilitado e permitido que o prĂłprio preso utilizasse um aparelho celular de dentro do presĂdio para coordenar as negociaçÔes financeiras com o ambiente externo.
A apuração aponta que a mĂŁe do detento, que tinha 68 anos de idade na Ă©poca do ocorrido, efetuou transferĂȘncias bancĂĄrias diretamente para a conta corrente do policial penal, apĂłs receber contatos diretos feitos pelo prĂłprio funcionĂĄrio pĂșblico denunciado.
O promotor de Justiça Jonas Junio Linhares Costa Monteiro enfatizou o peso da ação para a moralidade administrativa:
“A responsabilização de agentes pĂșblicos envolvidos em prĂĄticas ilegais Ă© essencial para preservar a confiança da sociedade nas instituiçÔes pĂșblicas”, pontuou o representante do MinistĂ©rio PĂșblico.
AcusaçÔes e pedidos de punição
Diante dos fortes indĂcios colhidos na fase de inquĂ©rito, o MinistĂ©rio PĂșblico enquadrou o policial penal em dois crimes previstos no CĂłdigo Penal Brasileiro:
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ConcussĂŁo: Crime que ocorre quando um funcionĂĄrio pĂșblico exige, para si ou para outrem, vantagem indevida em razĂŁo da função que ocupa.
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Prevaricação imprópria: Relacionada diretamente ao fato de o servidor deixar de cumprir seu dever funcional de impedir a entrada ou a posse de aparelhos eletrÎnicos de comunicação (como celulares) dentro de unidades prisionais.
AlĂ©m de buscar a condenação criminal na Justiça, o MPMG formalizou uma sĂ©rie de pedidos cautelares contra o servidor, incluindo o seu afastamento imediato das funçÔes pĂșblicas, a perda definitiva do cargo de policial penal, o ressarcimento integral dos valores retirados da famĂlia do detento e o pagamento de uma indenização por danos morais coletivos.
Por que o trabalho na marcenaria do presĂdio Ă© disputado pelos detentos?
O trabalho dentro de unidades prisionais, como na marcenaria, garante aos detentos o direito à remição de pena, onde dias trabalhados são abatidos da condenação total, além de somar pontos positivos para a progressão para regimes mais brandos (como o semiaberto).
O que significa o crime de concussĂŁo imputado ao policial penal?
O crime de concussĂŁo (Artigo 316 do CĂłdigo Penal) se configura quando um agente pĂșblico exige uma vantagem indevida (como dinheiro ou bens) para si ou para outra pessoa, utilizando-se do poder ou da influĂȘncia do cargo que ocupa.
Quais as puniçÔes que o diretor do presĂdio de Ipatinga pode sofrer?
AlĂ©m de poder ser condenado a penas de prisĂŁo pelos crimes de concussĂŁo e prevaricação, o MinistĂ©rio PĂșblico solicitou o seu afastamento preventivo, a perda definitiva do cargo pĂșblico, devolução do dinheiro Ă famĂlia do preso e indenização por danos morais.


