Caso que começou com uma tentativa de subtração de incapaz na zona leste revelou uma trama de agressões, denúncias de exploração infantil e atuação de tribunal paralelo.
O desdobramento de uma ocorrência de violência urbana na zona leste de São Paulo expôs uma rede complexa de crimes que culminou na morte de duas pessoas. O que inicialmente parecia ser uma reação intempestiva de moradores a uma tentativa de sequestro de uma criança de 9 anos acabou atraindo a interferência de uma organização criminosa que dita regras na periferia da capital. As autoridades agora correm contra o tempo para individualizar as condutas dos envolvidos tanto na tentativa de rapto quanto nos assassinatos.
Os corpos das vítimas foram localizados dias após o tumulto inicial, desencadeando uma força-tarefa da polícia para mapear os passos dos suspeitos e os bastidores das acusações mútuas.
O histórico na ocupação, o linchamento e a interferência do PCC
A apuração indica que os conflitos entre os envolvidos antecediam o episódio na zona leste e tinham como pano de fundo a convivência em um alojamento no centro da cidade.
De acordo com as informações apuradas pelo jornalista Alfredo Henrique para o portal METRÓPOLES, a Polícia Civil investiga indícios de que Carolyn Del Carmen Cedeno Cedeno, de 38 anos, e o auxiliar de enfermagem Hamilton Coelho de Resende, de 53 anos, foram executados a pauladas por determinação de um “tribunal do crime” do PCC. A reportagem do veículo detalha que a tragédia se desenhou após Hamilton e um comparsa tentarem levar o filho de Carolyn à força em Guaianases, sendo contidos e agredidos por moradores. O portal destaca que, durante o linchamento, Hamilton acusou a mãe da criança de envolvimento com exploração infantil, motivando o grupo criminoso a capturar e julgar ambos.
Um terceiro envolvido no rapto frustrado conseguiu escapar pulando em um córrego no dia da confusão, mas foi localizado posteriormente na região central da capital e admitiu a participação no plano em troca de uma promessa de moradia.
Quem eram as duas pessoas encontradas mortas na zona leste de São Paulo?
Os corpos pertenciam à venezuelana Carolyn Del Carmen Cedeno Cedeno, de 38 anos (mãe do menino que quase foi levado), e ao auxiliar de enfermagem Hamilton Coelho de Resende, de 53 anos. Ambos se conheciam desde o período em que frequentavam uma ocupação no centro de São Paulo.
O que motivou a atuação do chamado “tribunal do crime” do PCC neste caso?
Após Hamilton tentar levar o menino de 9 anos à força com a ajuda de um comparsa, moradores de Guaianases intervieram e passaram a agredir os suspeitos. Durante o linchamento, Hamilton teria acusado Carolyn de explorar os próprios filhos. Diante das acusações de pedofilia e exploração, integrantes da facção assumiram o controle da situação, capturaram Carolyn e Hamilton e os executaram.
O que aconteceu com os filhos de Carolyn após o crime?
Com a morte da mãe, as crianças foram inseridas em uma rede de proteção social. Três dos filhos (com idades de 7, 9 e 11 anos) foram encaminhados para um abrigo oficial. Uma irmã adolescente, de 14 anos, passou a receber o acompanhamento de uma família tutora e prestou depoimento relatando o histórico de vulnerabilidade em que vivia.

