A comunidade cientĂfica nĂŁo tem poupado esforços para combater falácias e fake news sobre o novo coronavĂrus. Nesta Ăşltima semana, Soumya Swaminathan, diretora cientĂfica da Organização Mundial de SaĂşde (OMS), declarou que a estratĂ©gia de imunidade de rebanho Ă© ineficaz e perigosa.
Segundo ela, se esperássemos pela imunização coletiva, terĂamos um resultado catastrĂłfico: cerca de 1% da população mundial morreria. Para quem desconhece do termo, o alergista Guilherme Pulici, conceitua:
“A imunidade de rebanho Ă© uma condição, um termo utilizado na imunologia, que diz respeito a situação em que uma grande parte da população já contraiu a doença e isso acaba diminuindo a propagação da mesma. Ou seja, a maioria das pessoas já pegou doença, está imune e nĂŁo contrai e nem transmite a doença”, diz.
Portanto, a imunidade de rebanho estaria consolidada quando grande parte das pessoas já tivessem sido contaminadas. Desta maneira, atravĂ©s da imunização coletiva, o restante da população estaria protegido. Essa estratĂ©gia, tratando-se do novo coronavĂrus, torna-se ineficaz com o tempo.
“NĂłs nĂŁo sabemos por quanto tempo ela dura (imunidade do coronavĂrus). Estamos falando de vĂrus RNA, com capacidade de mutação desconhecida, por isso existem subtipos do vĂrus já circulando no mundo e casos de reinfecção. Portanto, somente o tempo será capaz de dizer se a imunidade do coronavĂrus Ă© duradoura e por quanto tempo vai durar” disse Pulici.
O mĂ©dico ainda alerta sobre o grande nĂşmero de negacionistas, grupo que vem crescendo e recebendo apoio nas redes sociais. Estes sĂŁo responsáveis por muitas das fake news que a comunidade cientĂfica tem combatido.
“NĂŁo há o que se discutir. O conhecimento cientĂfico Ă© adquirido com muito estudo e metodologia especĂfica. Isso demanda tempo e dinheiro. A melhor saĂda, portanto, Ă© ignorá-los.”

