Alegando “descaso”, trabalhadores rurais exigem assentamento em fazenda desapropriada pela polícia

Por Wania Pinheiro, ContilNet 31/01/2016 às 16:44
Agricultores cobram a entrega de lotes na área desapropriada/Foto: ContilNet
Agricultores cobram a entrega de lotes na área desapropriada/Foto: ContilNet

Agricultores cobram a entrega de lotes na área desapropriada/Foto: ContilNet

Trabalhadores rurais da Fazenda da Brahma, localizada na Estrada do Mutum, procuraram ContilNet para denunciar o possível “descaso” do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para com eles.  Depois de cumprir acordo com a polícia durante a reintegração de posse, há mais de dois anos, cerca de 300 famílias ainda não foram assentadas. Pelo fato de já ter sido desapropriada, os agricultores pedem mais celeridade em ação que tramita no Ministério Público Federal (MPF).

Eles reivindicam que seja concluída a reforma agrária na fazenda. Insatisfeitas, algumas dessas famílias, como forma de protesto, ficaram acampadas às margens da estrada. “Ficamos vários meses acampados até sermos enganados por político ligados ao PT”, denunciou o representante do grupo, Eládio Frota Gonçalves.

De acordo com Frota, a fazenda foi negociada há mais de três anos pelo Incra e, segundo ele, 8.336 hectares foram desapropriados. “Disseram que, após assentarem os brasileiros que vinham da Bolívia, nós seríamos os próximos. Tudo balela. Prática costumeira de políticos inescrupulosos”, desabafa o líder rural.

“Queremos que o Incra nos assente. Estamos há três anos aguardando, tendo conversas e os acordos não foram cumpridos. Estamos aguardando uma resposta com data e dia para que nosso povo seja assentado”, reivindica Eládio.

Eládio mostra cópia da documentação que tramita no MPF

Eládio mostra cópia da documentação que tramita no MPF

Segundo representantes do Incra, todos os trâmites de negociação com a Justiça já estão sendo concluídos para a entrega dos lotes, mas apenas as famílias cadastradas no sistema serão beneficiadas.

“Já estamos quase recebendo a posse, a gente encaminha o pedido para o juiz federal e ele dá a posse para o Incra. Estamos fazendo o processo de seleção das famílias cadastradas que serão beneficiadas. Precisamos avaliar e ver quem tem perfil para a reforma agrária, porque muitos dali não precisam. A terra é para a reforma agrária, para quem precisa dela”, diz um servidor do instituto.

Conteúdo Original / Fonte: Jorge Natal, da ContilNet

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