O desembargador aposentado Adair Longuini confirmou à reportagem do ContilNet, na manhã deste domingo (3), a existência de uma disputa judicial entre a Albuquerque Engenharia, a maior empresa de construção civil e incorporadora do Acre, com investidores que adquiriram salas e outros imóveis de duas torres que, três anos depois das obras iniciadas, não foram concluídas apesar de muitos clientes já terem pago pelos empreendidos – investimentos da ordem R$ 250 mil por unidade. O empreendimento falido está localizado na rua Tião Natureza, no Jardim de Alah, nas proximidades da escola “Armando Nogueira”, em Rio Branco (AC). O fato foi noticiado na manhã deste domingo pela coluna “Pimenta do Reino”.
Longuini é o presidente da associação dos promitentes (compradores) dos imóveis e foi à Justiça, na semana passada, com um pedido de liminar para que as duas torres fossem retiradas da relação de bens da Albuquerque Engenharia na sua proposta de recuperação judicial. A empresa, ao que tudo indica, vivendo a crise econômica que se alastra por todo o Acre, recorreu à Justiça para a recuperação judicial e continuar operando, ainda que com dificuldades, mas com o nome limpo na praça. “Quem pede recuperação judicial é porque quer continuar com o nome limpo”, disse o desembargador, que, aposentado, prepara-se para o retorno à advocacia privada.
Disse ele que as conversas dos compradores dos imóveis com a diretoria da Albuquerque Engenharia estão caminhando para um acordo e que, com a concessão da liminar, pelo Tribunal de Justiça para que as torres fossem retiradas da lista dos bens imóveis da empresa, as conversas estão bem adiantadas. Após o Carnaval deverá ser encontrada uma solução para que as obras sejam retomadas e os compradores possam, enfim, ocupar seus imóveis. “O que todo mundo é ocupar seus imóveis e fazer valer seus investimentos”, disse Longuini, ele próprio um dos compradores de salas no local que foi projeto para ser um complexo imobiliário moderno e luxuoso, com o pomposo nome “Via Towers Corporate Buldings”. A proposta da Albuquerque Engenharia aos compradores é no sentido de continuar as obras e devolver o dinheiro de quem já pagou pelos imóveis num prazo de 20 anos, o que não foi aceito pelos adquirentes.
Ao todo, o complexo seria de 270 salas, das quais pelo menos 70 já teriam sido vendidas, algumas inclusive à vista. O desembargador Longuini disse que, nos contratos com a empresa, em nenhum momento aparece o nome do ex-senador Jorge Viana como um dos sócios da empresa, embora, no local, onde ainda trabalhem alguns operários em ritmo de lentidão, e na vizinhança, todos digam que as torres inacabadas pertençam ao político. O ex-senador não E o empresário João Albuquerque, controlador da Albuquerque Engenharia, não foram encontrados para falar sobre o assunto.


