Ela é de São Paulo, mas acertou ao retratar as acreanas em um projeto que retrata as brasileiras. “Arre djanga”, “xiringar perfume”: as expressões fazem parte da série “Brasileiras Ilustradas”, comandada pela ilustradora paulistana Nath Araújo, 28.
Na série, ela busca ilustrar as garotas nativas e as expressões linguísticas de cada estado brasileiro. E garante: se diverte muito com isso, além de tentar mostrar a todo o Brasil as particularidades de linguagem de cada região.
Nath (@nanaths) já é figura conhecida no Instagram, até mesmo por esse não ser seu único trabalho. Seu perfil tem 284 mil seguidores. Recentemente, ela deu entrevista ao site A Crítica, do Amazonas – Estado esse, aliás, que também recebeu com louvor a série, e o acerto por parte da ilustradora também fio destacado pela mídia local.
De acordo com a reportagem, para compor a série, Araújo fez pesquisas na Internet, principalmente nas redes sociais.

Artista ilustrou o estado do Acre na série/Fotos: Reprodução
“As melhores ideias vêm das páginas de humor específicas de cada estado”, explica Nath. Para o trabalho, ela conta com a ajuda dos seus seguidores. “Se alguém envia, eu tiro print e guardo pra consultar quando for escrever”.
Acompanhado da publicação, um texto que os internautas adoraram. Segue na íntegra:
O Acre existe, sim! E você tem que ser muito beixta pra achar que lá não tem Internet, shopping e cinema (tem sim, só pra deixar claro). Mas apesar de estar cansada dessa ruma de gente aperriando ela, a acreana não vai fazer arenga, porque ela sabe que tem as suas peculiaridades. Vamos começar pelo fuso horário, o que já renderia um textão. Primeiro porque não é fácil aguentar telemarketing ligando 6h da manhã por não saber que horas são no Acre. E quando criança, ela ficava confusa com o cumprimento do William Bonner no jornal, “égua desse homem dando boa noite essa hora!”. Mas tem coisa mais chique do que falar que você segue o horário de NYC, maninha? Tem sim, falar que você viajou no tempo voltando de Brasília pra Rio Branco no horário de verão. Mais chique do que isso só os dias de friagem, quando ela corre pra tomar um tacacá e fazer foto de blogueira toda encapada! É tão raro esfriar que acaba virando um fenômeno. O Acre só tem duas estações no ano: ou o sol tá tinindo ou tá caindo um toró d’água, e tá sempre quente. Quer saber a resposta da acreana pra pergunta mais polêmica do país? É simples e indolor: se é doce é biscoito, se é salgada é bolacha. Quer ver polêmica de verdade? Pergunte se ela prefere bolacha Miragina redonda ou quadrada pra fazer sopa de bolacha. Outro assunto que você deve evitar pra não dar briga é sobre o quibe de arroz ou macaxeira, que a acreana nutella pronuncia “keybe” e a raiz, “quibi” – só a pronúncia já dá mais uma confusão. Polêmicas à parte, o importante é ser uma maceta de quibe! Se a sua miga acreana for sua miga mesmo, ela não vai te deixar ir embora sem experimentar um. E caso ela te ofereça baixaria, não se assuste. É um prato típico e bem mara. Se te der vontade de comer um docinho antes, só não invente de pedir bala, senão ela vai te mangar. Não existe bala, exceto de revólver, então não acho que seria muito prudente pedir umas. O certo é pedir por bombom! Só que aí corre o risco de brotar uma mãe acreana do chão falando “vai deixar de tá comendo comida pra comer bribote, é?? E vá vestir uma capa que tá é frio, ó!” #BrasileirasIlustradas
Reações
Na publicação sobre o Acre, os comentários são positivos. Até o fechamento desta reportagem, eram mais de 2.400 curtidas. “Adorei! Gente, o Brasil é maravilhoso, né? Nós falamos a mesma língua, mas cada região tem seu próprio dialeto! Incrível!”, escreveu Fernanda Mazoni.
“Ah que amor, você arrasou na definição do meu Acre! Que linda, imagino o trabalho que deu pra juntar todas essas informações que só uma Acreana de verdade poderia lhe passar, Parabéns”, escreveu Aglay Fernandes.
Teve gente de fora comentando a cultura acreana. “Gente, não sabia que no Acre vocês falassem “égua” (vocês também dão inúmeras entonações como os paraenses? ) e tomassem tacacá. Manax (sic), preciso conhecer”, comentou Dana Aguiar.
