“Se me sinto mulher, eu sou mulher. Essa data Ă© tambĂ©m nossa”, diz acreana transexual

Por EVERTON DAMASCENO, DO CONTILNET 08/03/2021 às 13:20 Atualizado: há 5 anos

“Se me sinto mulher, eu sou mulher”. A frase foi dita pela estudante de psicologia Ramona Melo, de 23 anos, que Ă© mulher trans e natural de Brasileia, no interior do Acre.

Interessada nos estudos sobre o comportamento humano e os processos mentais, a acreana disse que o Dia da Mulher, comemorado nesta segunda-feira, 8 de março, Ă© tambĂ©m uma data das mulheres trans – o que deve ser reforçado, de acordo com ela, e considerado como direito previsto na Constituição.

O termo trans Ă© utilizado para se referir a uma pessoa que nĂŁo se identifica com o gĂŞnero ao qual foi designado em seu nascimento – o caso de Ramona.

Ramona Ă© estudante de Psicologia/Foto: Arquivo pessoal

“Mulheres trans sĂŁo mulheres e precisam ser respeitadas desta forma. É sobre ser quem se Ă©. Essa data Ă© tambĂ©m nossa, apesar de sermos vĂ­timas de uma transfobia absurda neste paĂ­s, em que boa parte da população, por ignorância e muitas vezes atĂ© por perversĂŁo, ignora e aniquila as diferenças”, destacou.

A transfobia Ă© uma forma de preconceito contra pessoas transexuais que pode se manifestar em atos de violĂŞncia fĂ­sica, moral ou psicolĂłgica.

Quando questionada sobre os desafios enfrentados em um cenário de aversĂŁo ao que foge da cisgeneridade – condição da pessoa cuja identidade de gĂŞnero corresponde ao que lhe foi atribuĂ­do no nascimento -, a psicĂłloga aspirante afirmou que, alĂ©m da transfobia, no seu caso, sendo mulher, questões como machismo, misoginia e assĂ©dio sĂŁo muito presentes.

“Por ser mulher e viver em uma sociedade patriarcal, alĂ©m da transfobia, enfrentamos questões como o machismo, a misoginia, etc. É muito difĂ­cil ser trans em um paĂ­s que mata mais transexuais no mundo e ser mulher em um nação cuja violĂŞncia contra o nosso gĂŞnero Ă© absolutamente medieval, cruel”, apontou.

Ramona acredita que a educação e o respeito são os caminhos mais adequados para quebrar preconceitos e gerar legitimação.

“É preciso acolher as pessoas como elas sĂŁo. Isso parte do respeito e da Educação. Se me sinto mulher, eu sou mulher. Se alguĂ©m se sente homem, da mesma forma. Se valorizarmos o respeito e a Educação, faremos do mundo um lugar muito melhor para convivermos”, finalizou.

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