11 de setembro: relembre atentado que matou milhares de pessoas
Há 25 anos, o mundo acompanhava, em tempo real, um dos acontecimentos mais marcantes do século 21. Em 11 de setembro de 2001, quatro aviões foram sequestrados nos Estados Unidos e usados em ataques que atingiram o World Trade Center, em Nova York, e o Pentágono, na Virgínia. Uma quarta aeronave caiu em um campo na Pensilvânia após passageiros reagirem aos sequestradores.
Quase 3 mil pessoas morreram naquele dia. Um quarto de século depois, o 11 de setembro continua presente na memória das famílias das vítimas e também em processos judiciais que ainda não chegaram ao fim.
Entre os principais acusados está Khalid Sheikh Mohammed, apontado como o principal planejador dos atentados. Detido há cerca de duas décadas na prisão militar de Guantánamo, em Cuba, ele ainda não foi condenado.
O julgamento está previsto para começar em junho de 2028, quase 27 anos depois dos ataques.
Famílias ainda esperam por Justiça
A longa espera tornou-se parte da história dos familiares que perderam parentes nos atentados. John Resta perdeu o irmão Tom, que trabalhava como operador financeiro no 92º andar da Torre Norte do World Trade Center. A esposa de Tom, Sylvia, também estava no prédio. Ela estava grávida de sete meses.
Quase 3 mil pessoas morreram naquele dia. — Foto: Reprodução
Dias antes dos ataques, o casal preparava o quarto do bebê que esperava. Vinte e cinco anos depois, Resta ainda acompanha o processo judicial e já viajou quatro vezes a Guantánamo para assistir às audiências preliminares.
LEIA TAMBÉM: 11 de setembro: Drones recriam Torres Gêmeas em NY em homenagem às vítimas
“Depois de tanto tempo, ainda tenho um nó na garganta”, afirmou à BBC. O tempo também trouxe outro temor: familiares mais idosos podem não viver o suficiente para acompanhar o julgamento.
O pai de Resta completará 98 anos em novembro. “Não acredito que ele espere chegar a ver o julgamento”, lamentou.
Por que o julgamento demora tanto?
Mohammed é acusado de crimes como conspiração e assassinato e de ter idealizado o plano que levou aos atentados. Segundo a acusação, ele teria apresentado a ideia a Osama bin Laden, então líder da Al-Qaeda.
O processo, porém, foi marcado por disputas sobre as provas e pelos métodos utilizados pelos Estados Unidos para interrogar os suspeitos após os ataques.
Mohammed e outros acusados passaram por prisões secretas da CIA antes de serem levados a Guantánamo. Entre as técnicas empregadas estava o waterboarding, uma forma de afogamento simulado.
Recentemente, um juiz militar decidiu que confissões de Mohammed feitas ao FBI não poderiam ser utilizadas no julgamento por terem sido obtidas após anos de abusos físicos e psicológicos.
A questão da tortura tornou-se um dos principais obstáculos para o avanço do processo. Especialistas ouvidos pela BBC avaliam que as disputas sobre quais provas podem ser utilizadas contribuíram para prolongar as audiências preliminares.
Os ataques também desencadearam mudanças profundas na política e na segurança dos Estados Unidos. — Foto: Reprodução
Um quarto de século de consequências
O impacto do 11 de setembro ultrapassou as mortes registradas naquele dia.
Além das 2.977 pessoas que morreram nos Estados Unidos durante os ataques, mais de 9.400 morreram posteriormente em decorrência de doenças relacionadas à exposição a substâncias tóxicas liberadas após a destruição do World Trade Center, segundo o programa federal de acompanhamento médico.
Os ataques também desencadearam mudanças profundas na política e na segurança dos Estados Unidos, incluindo a chamada “guerra ao terrorismo” e a criação de novas estruturas de segurança interna.
Comunidades muçulmanas também passaram a enfrentar aumento da vigilância e de episódios de hostilidade após os atentados.
Memória passa para uma nova geração
Depois de 25 anos, o desafio também é preservar a memória de um acontecimento que já não é vivido diretamente por uma parcela significativa da população.
Segundo Beth Hillman, presidente do Museu e Memorial do 11 de setembro, cerca de 100 milhões de americanos não haviam nascido ou eram muito jovens para se lembrar dos ataques.
Por isso, o museu ampliou iniciativas de educação e preservação da memória, com testemunhas preparadas para contar às novas gerações o que aconteceu.
Para os familiares das vítimas, entretanto, o 11 de setembro não se tornou apenas um capítulo dos livros de história.
Stephan Gerhardt perdeu o irmão Ralph e já esteve seis vezes em Guantánamo para acompanhar as audiências. Ele afirma que deseja ver os responsáveis condenados, mas também quer conseguir deixar o processo para trás e se dedicar às lembranças do irmão.
“Não quero voltar para este lugar. Quero viver minha vida e desfrutar dos meus hobbies e das recordações de Ralph”, afirmou.
25 anos depois
Nesta sexta-feira (11), Nova York volta a reunir familiares das vítimas para lembrar os mortos no Marco Zero. A cerimônia inclui a tradicional leitura dos nomes das pessoas que perderam a vida nos ataques.