Saúde cria novo fluxo para atendimento de gestantes com diabetes no Acre
O Acre passou a contar com um fluxo estadual para o atendimento de gestantes com diabetes, com regras para identificação da doença, acompanhamento durante o pré-natal e encaminhamento para serviços especializados. A medida foi pactuada pela Comissão Intergestores Bipartite do Acre (CIB/AC) e publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) nesta segunda-feira (14).
A Resolução CIB/AC nº 72/2026 estabelece os fluxos assistenciais de três áreas relacionadas à saúde materna: estratificação de risco gestacional, manejo das síndromes hipertensivas na gestação e manejo da Diabetes Mellitus Gestacional (DMG).
Os documentos foram elaborados pela Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) e deverão ser observados pelos serviços que integram a Rede de Atenção à Saúde do estado.
A medida tem como objetivo organizar o atendimento desde a Atenção Primária à Saúde, onde ocorre o acompanhamento de grande parte das gestantes, até os serviços especializados e de referência para casos de maior risco.
Fluxo define atendimento para gestantes com diabetes
No caso da diabetes, o novo guia estabelece critérios para identificar alterações de glicose durante a gravidez e definir o acompanhamento adequado para cada gestante.
A avaliação começa no pré-natal, com investigação de fatores de risco, histórico de diabetes e realização dos exames indicados conforme a idade gestacional.
Para gestantes que já tinham diabetes antes da gravidez, o fluxo prevê acompanhamento específico e adequação do tratamento. Já para aquelas sem diagnóstico anterior, os exames variam conforme o período da gestação.
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Um dos critérios previstos é que, para gestantes com menos de 20 semanas, a glicemia de jejum igual ou superior a 92 mg/dL e inferior a 126 mg/dL seja classificada como Diabetes Mellitus Gestacional.
A partir de 20 semanas, o protocolo prevê o teste oral de tolerância à glicose (TOTG) com 75 gramas, preferencialmente entre a 24ª e a 28ª semana.
O guia também estabelece como deve ser feito o acompanhamento das gestantes classificadas como risco intermediário ou alto risco, incluindo controle da glicemia, acompanhamento nutricional, monitoramento do ganho de peso e do crescimento fetal e avaliação da necessidade de medicamentos.
Atenção básica continua participando do cuidado
A resolução determina que a gestante não deixe de ter vínculo com a atenção básica mesmo quando precisar de atendimento especializado.
Nos casos de maior risco, a Atenção Primária à Saúde continua responsável pela coordenação do cuidado, enquanto o serviço especializado realiza o acompanhamento específico da condição clínica.
A proposta é integrar os diferentes pontos da rede e evitar que o atendimento fique restrito a apenas um serviço.
Três fluxos foram pactuados
Além do diabetes gestacional, a resolução estabelece o fluxo para estratificação de risco gestacional e para o manejo das síndromes hipertensivas durante a gravidez.
Os três documentos foram previamente apresentados e discutidos nas três Comissões Intergestores Regionais do Acre: Alto Acre; Baixo Acre e Purus; e Juruá/Tarauacá-Envira.
Depois das discussões regionais, os fluxos foram apresentados ao plenário da CIB/AC e pactuados na reunião realizada em 20 de agosto de 2026.
Estado deverá acompanhar implementação
A resolução determina que a Sesacre, em articulação com as Secretarias Municipais de Saúde, promova a divulgação, implementação, monitoramento e atualização dos fluxos.
O documento passa a orientar os serviços que integram a rede estadual, respeitando as competências de cada ponto de atenção e os critérios clínicos estabelecidos nos três guias técnicos.
A resolução entrou em vigor na data de sua publicação.