O terremoto que atingiu a Venezuela na última quarta-feira (24), deixando mais de 500 mortos, voltou a chamar a atenção para a ocorrência de abalos sísmicos na América do Sul e levantou dúvidas sobre os riscos no território brasileiro.
Apesar de o Brasil estar localizado no interior da Placa Sul-Americana, longe das principais falhas tectônicas, o país também registra tremores de terra, embora, na maioria das vezes, de baixa intensidade.
Os reflexos do terremoto foram sentidos de forma leve em cidades como Manaus (AM) e Belém (PA), sem registro de danos. Segundo estudos do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP), o Brasil contabilizou cerca de 100 terremotos neste século, mas nenhum deles provocou destruição significativa.
No cenário nacional, o Acre figura entre os estados que já registraram alguns dos maiores tremores da história do país. O caso mais recente ocorreu em 2024, quando um terremoto de 6,6 graus de magnitude foi registrado na Região Norte.

Em 2024, um terremoto de 6,6 graus de magnitude foi registrado na Região Norte/Foto: Reprodução
Embora o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) tenha inicialmente associado o caso à Tarauacá, no Acre, as coordenadas indicaram uma área isolada no município de Ipixuna, no Amazonas. O tremor foi considerado o maior já registrado no Brasil.
Dois anos antes, em 2022, Tarauacá registrou outro forte abalo sísmico, de 6,5 graus, o segundo maior da história do país. Apesar da magnitude, não houve vítimas nem danos materiais.
O histórico de tremores no estado também inclui um terremoto de 7,0 graus, em 2003, com epicentro próximo à divisa entre Acre e Amazonas, a cerca de 115 quilômetros de Cruzeiro do Sul. O fenômeno ocorreu a mais de 550 quilômetros de profundidade e não chegou a ser sentido pela população.

Tremores podem ocorrer devido à movimentação de falhas geológicas internas/Foto: Reprodução
Já em 2015, moradores de Rio Branco deixaram prédios após sentirem reflexos de um terremoto de 7,6 graus registrado na região da tríplice fronteira entre Peru, Bolívia e Brasil. Apesar do susto, não foram registrados danos ou feridos no Acre.
O Brasil já registrou terremotos de magnitude considerável ao longo das últimas décadas. O maior ocorreu em 1955, com 6,6 graus em Mato Grosso, enquanto áreas do Espírito Santo registraram 6,3 graus. Em 1980, um tremor de 5,2 graus atingiu o Ceará e, três anos depois, o Amazonas registrou um abalo de 5,5 graus.
Outros casos chamaram atenção. Em 2007, um terremoto de 6,1 graus foi sentido na divisa entre Acre e Amazonas. No mesmo ano, Minas Gerais registrou um sismo de 4,9 graus.
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Já em 2008, um tremor de 5,2 graus foi percebido por moradores de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina, em um dos eventos sísmicos de maior repercussão recente no país.
Especialistas explicam que, embora o Brasil esteja em uma área geologicamente mais estável, tremores podem ocorrer devido à movimentação de falhas geológicas internas e à propagação de ondas sísmicas geradas por grandes terremotos em países vizinhos.
Por isso, estados da Região Norte, como o Acre, acabam registrando alguns dos maiores abalos já observados no território brasileiro, ainda que os impactos sejam, na maior parte dos casos, limitados.



