Acre registra alta nos alertas de desmatamento em agosto, aponta Deter
Dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Reak (Deter) mostra que os alertas de desmatamento na Amazônia, em agosto de 2026, somaram 358 km², ante 319 km² registrados em agosto de 2025, um aumento de 12,1%. No Acre, a área de desmatamento saiu de 32 km² para 37 km².
Além desses números, o governo federal também apresentou outros dados. Considerando o trimestre junho-agosto de 2026, houve redução nos alertas, foram 1.044 km², contra 1.312 km² registrados no mesmo período de 2025 – uma redução de 20,4%.
Nos três meses, o Acre respondeu por 10,3% da área sob alerta em agosto. O Pará registrou 43,3%, seguido pelo Amazonas (20,9%) e Mato Grosso (16,2%).
Os dados, divulgados na última sexta-feira (11), fazem comparação entre 2025 e 2026. Outros estados amazônicos registraram queda ou estabilidade no número de alertas de desmatamento, na comparação entre agosto de 2025 e 2026: o Amazonas permaneceu estável, passando de 71 km² para 75 km²; o Mato Grosso caiu de 98 km² para 58 km².
Os dados são do Deter são produzidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
O Deter fornece alertas diários de supressão da vegetação e subsidia as ações de fiscalização em tempo real. O sistema é operado pelo Inpe e não produz a taxa anual de desmatamento, calculada pelo Prodes.
Os dados completos estarão disponíveis após a divulgação na plataforma TerraBrasilis , que também pode ser acessada por meio da página do Inpe.
Estudos no Acre associam desmatamento ao avanço da leishmaniose e doença de Chagas
Pesquisas científicas desenvolvidas no Acre revelam que a derrubada da vegetação nativa na Amazônia altera de forma direta a transmissão de doenças tropicais negligenciadas. Os levantamentos indicam que o desmatamento e a ocupação humana elevam os riscos de contágio de leishmaniose e doença de Chagas, além de confirmar dados anteriores sobre a proliferação da malária.
Conduzidos por pesquisadores do Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC (FMABC) e financiados pela FAPESP e pelo Programa Iniciativa Amazônia+10, os trabalhos foram publicados nos periódicos internacionais Parasites & Vectors e PLOS One.
Inseto barbeiro, transmissor do protozoário causador da doença de Chagas/Foto: Josué Damacena/IOC/Fiocruz
O grupo realizou expedições de campo entre 2022 e 2024 em 20 pontos de um assentamento rural em Cruzeiro do Sul, município situado na margem esquerda do rio Juruá. A região sofre constante pressão do desmatamento, o que permitiu comparar áreas de floresta preservada com terrenos em diferentes estágios de degradação.
Na investigação sobre a leishmaniose, a equipe constatou que a densidade do mosquito-palha — com predomínio da espécie Nyssomyia antunesi — está ligada ao histórico do desmatamento e ao tempo de consolidação da presença humana, e não apenas ao percentual de mata existente. Os insetos se adaptam aos ambientes modificados e multiplicam suas populações conforme as comunidades se estabelecem.