O estado do Acre enfrenta um cenário de alerta climático no segundo semestre de 2026. De acordo com a atualização mais recente do Monitor de Secas, a área afetada pelo fenômeno no estado saltou de 67% para 100% do território entre os meses de junho e julho.
Com esse índice, o Acre se consolidou ao lado do Espírito Santo e de Minas Gerais como um dos únicos estados brasileiros a registrar seca em 100% de sua extensão territorial no mês de julho. Além disso, o estado destacou-se por ser o único da Região Norte a apresentar o fenômeno na totalidade de sua área. Este é o maior percentual de seca registrado em solo acreano desde outubro de 2025.
Enquanto o percentual da área atingida cresceu, a intensidade do fenômeno permaneceu controlada. A severidade da seca manteve-se estável no Acre entre maio e julho, com o registro exclusivo de seca fraca, considerada a categoria mais branda na escala do Monitor.
“A severidade da seca se manteve estável no Acre entre maio e julho, já que houve somente o registro de seca fraca, que é a mais branda na escala do Monitor”, diz o boletim.
Em termos de estabilidade, o estado integrou o grupo de nove unidades da Federação onde a severidade da seca não sofreu alterações no período avaliado. No entanto, o Acre também integrou a lista dos 17 estados brasileiros que presenciaram uma expansão na área total coberta pelo fenômeno de um mês para o outro.
No panorama nacional, o avanço da seca fez com que a área total afetada no país subisse de 3,79 para 4,43 milhões de km² entre junho e julho, alcançando o equivalente a 52% do território brasileiro.
El Niño
Com a chegada do período mais crítico do verão amazônico, o governo do Estado e as defesas civis intensificam o monitoramento e as orientações à população. O coronel Carlos Batista, coordenador da Defesa Civil Estadual, alertou que os impactos da estiagem devem se intensificar nos próximos meses, com foco em setembro e outubro, período em que o fenômeno El Niño ganha força.
De acordo com o coronel Batista, o fenômeno tem uma probabilidade maior de atuação a partir de setembro. “As consequências vão ser justamente esse aumento das temperaturas na nossa região e a redução do nível das chuvas”, explicou.
Embora agosto ainda registre chuvas pontuais que trazem umidade passageira ao solo, a preocupação das autoridades recai sobre o final do ano.
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“O que se mostra o cenário, é que além de que nós estamos passando por um período de seca, que é agora de agosto e setembro, há uma possibilidade muito grande, mais de 90%, do fenômeno El Niño estar bastante forte no mês de outubro e novembro. O El Niño traz a redução de chuvas, não é que não possa ocorrer chuvas pontuais, mas ele traz redução de chuvas”, destacou.
“Esse é o cenário que se mostra para os meses de outubro e novembro, que é um mês que já começam aquelas chuvas já torrenciais no estado. Essa é a nossa preocupação como Defesa Civil, essa redução brusca da precipitação pluviométrica ali para outubro e novembro e passando para 2027”, continuou Batista.
Diante desse cenário, a orientação aos municípios é de alerta, reforçada por um decreto recente que abrange 24 cidades acreanas. Com o calor intenso previsto, a Defesa Civil recomenda atenção redobrada à saúde e à hidratação.

