Convocados pelo empresário Roberto da Princesinha, em seu restaurante localizado no Centro de Rio Branco, diversos cidadãos de Rio Branco se uniram para prestar queixa de uma situação envolvendo um possível esquema de pirâmide financeira, com implicações que podem extrapolar o território brasileiro e chegar a prejuízos internacionais.
MAIS UM BLOCO NA PIRÂMIDE
Segundo os denunciantes, a situação é culpa da empresa R12 Investimentos, sob responsabilidade de Gerson Costa Lima. Após pesquisa, o site ContilNet averiguou uma publicação de julho de 2017 no YouTube, na qual todo o passo-a-passo dos supostos investimentos eram realizados.
De acordo com a explicação (clique AQUI e confira o vídeo), a R12 se apresentava como uma empresa de “trading esportivo”, modalidade ligada aos investimentos nas bolsas esportivas, determinando quando comprar e vender as ações.
O investimento funcionava da seguinte forma: os investimentos eram a partir de mil reais, sendo que, deste valor, era prometida uma rentabilidade de R$ 30% desse valor ao longo de seis meses. No último mês, junto com os 30%, eram prometidos outros 30% do capital investido.
“GOLPE DE QUASE R$ 37 MILHÕES”
Gerson, de acordo com os investidores, desativou o site que disponibilizada informações sobre as contas e, desde então, não possui mais um número de telefone que seja do conhecimento dos investidores. Os relatos implicam cerca de 1.700 pessoas (dentro e fora do Brasil) que investiram e não receberam os valores que a empresa prometia. Destas, cerca de 950 são do Acre.

Pastor Alencar Neto, um dos investidores do possível esquema de pirâmidade. Foto: ContilNet
“Já está sem operar há quatro meses. O escritório que tinha aqui na Capital foi fechado, o site ficou inoperante e ninguém mais conseguiu acessar as respectivas contas. O Gerson alegou ter sido roubado por um grupo dentro da própria empresa, mas a verdade é que ele parou de operar na bolsa e transformou tudo em um esquema de pirâmide. O prejuízo do golpe pode chegar a quase R$ 37 milhões”, disse Alencar.
Outro investidor, que pediu para ficar anônimo, mencionou uma suposta “promoção” dentro do círculo de investidores: se uma pessoa trouxesse outra para a empresa, ganhava um bônus de 4% dentro do seu respectivo valor.

Contratos expostos durante as acusações. Foto: ContilNet
Sobre essa situação, a equipe da ContilNet também constatou, após averiguação, que o nome de Gerson é citado em seis processos que já estão correndo no Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), nos quais são solicitadas as devoluções dos valores investidos na empresa dele e a indenização por danos morais.

Investidores recebiam cartões personalizados para acessar as contas. Foto: ContilNet
Um boletim de ocorrência mostrado durante o encontro no restaurante também mostra a caracterização da situação como “estelionato simples”, previsto no Artigo 171 do Código Penal Brasileiro.
A equipe da ContilNet também tentou encontrar em contato com Gerson para uma resposta sobre as acusações, mas, até o fechamento desta matéria, o empresário não foi encontrado para possíveis esclarecimentos.
