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Alerta: óbitos por SRAG disparam em crianças menores de 2 anos no Acre

Por Sávio Buriti, ContilNet 03/07/2026 às 14:44
Alerta: óbitos por SRAG disparam em crianças menores de 2 anos no Acre

Segundo a Sesacre, o aumento da mortalidade infantil reforça a necessidade de intensificar o monitoramento da circulação dos vírus respiratórios. /Foto: Reprodução

O perfil de mortalidade por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Acre passou por uma mudança significativa em 2026. Dados do boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), na sexta-feira (3), mostram que, pela primeira vez nos últimos anos, os óbitos deixaram de se concentrar predominantemente entre idosos e passaram a atingir, de forma mais intensa, crianças e adolescentes.

De acordo com o documento, a intensificação da vigilância epidemiológica nos hospitais do estado, com ampliação da notificação imediata de casos e da coleta de amostras para exames de RT-PCR, permitiu identificar com maior precisão os vírus responsáveis pelas internações por SRAG. A melhoria no diagnóstico também possibilitou uma análise mais detalhada do comportamento da doença e de seus impactos sobre diferentes faixas etárias.

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Alerta: óbitos por SRAG disparam em crianças menores de 2 anos no Acre

O levantamento revela uma mudança expressiva no perfil dos óbitos. /Tabela: Sesacre

O levantamento, que considera as semanas epidemiológicas de 1 a 25 dos anos de 2024, 2025 e 2026, revela uma mudança expressiva no perfil dos óbitos. Enquanto em 2024 a maioria das mortes estava concentrada entre pessoas com 60 anos ou mais, esse cenário sofreu uma inversão ao longo dos últimos dois anos.

Entre os idosos, o número de mortes caiu de 67, em 2024, para apenas 15 registros em 2026, indicando uma redução importante na mortalidade desse grupo. Em contrapartida, o boletim aponta um crescimento contínuo das mortes entre crianças menores de dois anos, que passaram de três óbitos em 2024 para nove neste ano, o triplo do registrado há dois anos.

Segundo a Sesacre, o aumento da mortalidade infantil reforça a necessidade de intensificar o monitoramento da circulação dos vírus respiratórios e ampliar a capacidade de resposta da rede hospitalar, especialmente nos serviços de terapia intensiva neonatal e pediátrica durante os períodos de maior circulação viral.

Outro dado que chama atenção é a redistribuição proporcional da letalidade por faixa etária. Em 2024, os idosos representavam 51,54% de todas as mortes por SRAG no estado. Em 2026, essa participação caiu para 30%.

Alerta: óbitos por SRAG disparam em crianças menores de 2 anos no Acre

A mudança no perfil da letalidade representa um dos principais alertas do boletim. /Gráfico: Sesacre

Ao mesmo tempo, crianças e adolescentes de 0 a 19 anos passaram a concentrar 52% de todos os óbitos registrados por SRAG no Acre, configurando uma mudança inédita no perfil epidemiológico da doença. O resultado coloca a população infantojuvenil como o grupo mais vulnerável à mortalidade por síndromes respiratórias graves no estado.

Para a Sesacre, esse novo cenário exige o fortalecimento das estratégias de vigilância epidemiológica, diagnóstico precoce e assistência hospitalar especializada. O boletim destaca ainda a importância de medidas preventivas, como a vacinação contra a influenza, especialmente entre os grupos prioritários, além da busca imediata por atendimento diante do agravamento de sintomas respiratórios.

A mudança no perfil da letalidade representa um dos principais alertas do boletim epidemiológico divulgado pela pasta, indicando que, embora os idosos continuem sendo um grupo de risco para complicações respiratórias, a pressão sobre os serviços de saúde tem migrado para o atendimento pediátrico, exigindo atenção redobrada das equipes médicas e dos gestores da saúde pública.

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