Médica do Acre celebra aprovação de tratamento inédito contra fibrose pulmonar
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, em julho, uma nova opção de tratamento para adultos com fibrose pulmonar idiopática (FPI) e fibrose pulmonar progressiva (FPP). O medicamento, chamado Jascayd® (nerandomilaste), desenvolvido pela Boehringer Ingelheim, passa a ser uma nova alternativa para pacientes que convivem com essas condições.
De acordo com a médica pneumologista Célia Rocha, que atua no Acre há décadas, o estudo foi realizado por um grupo de profissionais, que ela participou.
“A coisa foi decidida agora no Congresso Europeu. Eu sou membro da Sociedade Europeia de Pneumologia e a foi descoberta essa luz e a gente está eufórico. A gente espera que o nerandomilaste aumente ou resolva de uma vez por toda a questão da fibrose pulmonar, que é uma questão bem séria, ou então é melhore anos e anos mais a qualidade de vida e a sobrevivência das pessoas que são acometidas”, explicou ao ContilNet.
O próximo passo será a definição do preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e, só após essa etapa, o medicamento poderá ser comercializado no país.
O nerandomilaste é um medicamento oral que atua sobre a fosfodiesterase 4B (PDE4B), uma enzima envolvida em processos inflamatórios e de formação de fibrose. A proposta é reduzir mecanismos relacionados à formação das cicatrizes pulmonares e, assim, retardar a progressão da doença.
Aumento de casos de fibrose pulmonar
O número de pacientes com fibrose pulmonar tem aumentado em Rio Branco, segundo a pneumologista Célia Rocha. Ainda nesta terça-feira (11), a médica afirmou que tem percebido o crescimento de casos no atendimento e alertou para a necessidade de procurar um especialista diante dos primeiros sintomas.
A doença é crônica e progressiva e provoca o endurecimento do tecido dos pulmões. Com o avanço do quadro, a capacidade respiratória diminui gradualmente, podendo chegar a situações em que o paciente precisa utilizar oxigênio de forma contínua.
Para a pneumologista, um dos fatores que contribuem para o agravamento dos casos é a demora na busca por atendimento especializado. Segundo ela, muitos pacientes acabam adiando a investigação dos sintomas e chegam ao consultório quando a doença já avançou.
“É muito comum as pessoas irem jogando os seus problemas para a frente e não tomarem o devido cuidado de procurar um especialista. Quando o tratamento começa tarde, principalmente diante de outras doenças e comorbidades, a situação pode se tornar muito mais complicada”, alerta.
A fibrose pode estar relacionada à exposição à poluição, inclusive no ambiente de trabalho, contato com aves, doenças reumatológicas e fatores genéticos. Em muitos casos, entretanto, a origem da doença permanece desconhecida.
Entre os sintomas estão falta de ar, dificuldade para respirar, pressão no peito, dor nas costas e tosse, que pode ser seca ou acompanhada de secreção. Além disso, a progressão da doença pode comprometer cada vez mais a capacidade pulmonar e, em casos avançados, levar o paciente à necessidade de oxigênio permanente.