Aos 60 anos, enquanto muita gente já pensa em diminuir o ritmo, o coronel da Polícia Militar do Acre Antônio Teles parece ter escolhido justamente o caminho contrário. Na semana passada, ele voltou para casa com mais um troféu nas mãos, depois de conquistar o título do Yves Galli Tênis Open 500, realizado em Ariquemes, em Rondônia.
A conquista mais recente não veio por acaso. Foi o segundo título consecutivo de Teles na terceira classe. Antes disso, ele já havia vencido o Aberto do Madeira, em Porto Velho, no ano passado. Agora, embalado pelos resultados, decidiu subir o nível da disputa.
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“Meu objetivo é chegar lá na primeira classe, mas agora, final do mês, eu vou competir a segunda classe, tendo em vista que eu já ganhei os últimos dois torneios na terceira classe”, contou em entrevista ao ContilNet.
O próximo desafio já tem data marcada. Entre 31 de agosto e 7 de setembro, Teles disputará o Aberto do Madeira, no Tênis Clube de Porto Velho, pela segunda classe. A competição é homologada pela Federação Internacional de Tênis (ITF) e reunirá jogadores de um nível mais elevado.

Na semana passada, ele voltou para casa com mais um troféu nas mãos, depois de conquistar o título do Yves Galli Tênis Open 500. /Foto: cedida
Ele também entrará em quadra na disputa de duplas, ao lado do amigo Juliano Basila, de Porto Velho, que o convidou para formar parceria no torneio.
Mais do que uma coleção de troféus, a fase atual representa uma espécie de resposta do coronel ao passar do tempo. Aos 60 anos, ele mantém uma rotina ativa, viaja de motocicleta por diferentes países e continua encontrando no esporte motivos para sair de casa, competir e, principalmente, se desafiar.
“Muita gente acha que com 60 anos já é o momento de parar, que não consegue mais praticar esporte. Eu sou um exemplo de que é possível você viajar de moto, subir montanhas, desertos, praticar tênis, mesmo tendo 60 anos”, afirmou.
A história com o tênis começou há alguns anos, quando Coronel Teles passou a praticar a modalidade com mais frequência. O esporte, que inicialmente fazia parte da rotina de exercícios, acabou ganhando espaço e levando o coronel para as competições.
E os resultados começaram a aparecer. Depois de conquistar o título no Aberto do Madeira, Teles voltou a disputar uma competição e, na semana passada, repetiu a dose ao ser campeão do Yves Galli Tênis Open 500, em Ariquemes. Duas competições, dois títulos e uma nova meta pela frente.
Mas se engana quem pensa que o coronel vive apenas entre uma partida e outra. Desde que chegou à reserva da Polícia Militar, ele decidiu não retornar à rotina de trabalho, mesmo após receber convites. Preferiu trocar o expediente por uma vida mais movimentada, dividida entre família, esporte, lazer e viagens.
“Eu, muito embora tenha recebido inúmeros convites para trabalhar, para voltar a trabalhar, eu decidi viver uma vida com maior qualidade de vida. Ao invés de me dedicar a um trabalho, eu decidi me dedicar à família, ao esporte, ao lazer e a viagens”, relatou.
Nas estradas, outra paixão ocupa espaço importante. Coronel Teles é motociclista e, nos últimos anos, percorreu países como Peru, Bolívia, Chile, Argentina, Paraguai, Equador e Colômbia. Em algumas viagens, esteve apenas como aventureiro. Em outras, trabalhou como guia de grupos de motociclistas.

Coronel Teles é motociclista e, nos últimos anos, percorreu países como Peru, Bolívia, Chile, Argentina, Paraguai, Equador e Colômbia./Foto: cedida
A relação com as motocicletas, aliás, vem de antes da reserva. Durante a carreira na Polícia Militar, Teles trabalhou com policiamento utilizando motos e participou da criação do Giro, o Grupo de Intervenções Rápidas e Ostensivas. A experiência também o levou a atuar na região de fronteira e a comandar o Gefron, unidade voltada ao combate aos crimes transfronteiriços.
Hoje, a paixão pelas duas rodas também virou trabalho. Ele mantém uma pequena empresa de mototurismo e organiza expedições pela América do Sul.
Entre a estrada e a quadra, Coronel Teles encontrou uma maneira própria de viver essa nova fase da vida. No tênis, diz que não está apenas correndo atrás da bola, mas exercitando também a cabeça.
“O tênis é um jogo de xadrez com esforço físico. Você precisa tomar decisões rápidas, em milésimos de segundo”, explicou.
Para ele, essa combinação é justamente uma das características que tornam o esporte tão interessante. Durante uma partida, é preciso deixar os problemas de lado, manter a concentração e reagir rapidamente a cada movimento do adversário.

Mais do que uma coleção de troféus, a fase atual representa uma espécie de resposta do coronel ao passar do tempo./Foto: cedida
Agora, depois de dois títulos consecutivos, o coronel quer saber até onde consegue chegar. A segunda classe será o próximo teste. A primeira classe, o sonho.
Aos 60 anos, o coronel Antônio Teles não está contando os anos para diminuir o ritmo. Está usando a experiência para acelerar em direção a novos desafios. Na quadra, na estrada ou diante de uma nova viagem, ele segue fazendo aquilo que decidiu fazer depois da reserva: viver.

