O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) ampliou o foco de uma investigação que acompanha a situação dos cemitérios de Mâncio Lima e passou a concentrar esforços na regularização ambiental dos espaços funerários do município. A medida foi formalizada na edição desta quinta-feira (25) do Diário Eletrônico da institiução, por meio de um aditamento ao Procedimento Administrativo nº 09.2020.00000534-7, assinado pela promotora de Justiça Manuela Canuto de Santana Farhat.
Inicialmente aberto em 2020 para fiscalizar as condições dos cemitérios durante a pandemia da Covid-19, o procedimento ganhou um novo direcionamento após o fim da emergência sanitária. Segundo o MPAC, embora as preocupações relacionadas ao aumento de sepultamentos tenham perdido o objeto, persistem graves pendências ambientais que exigem acompanhamento permanente.
Na decisão, o Ministério Público destaca que o Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) informou a existência de um processo de licenciamento ambiental solicitado pela Prefeitura de Mâncio Lima para o cemitério “Descanso Eterno”. No entanto, o órgão ambiental relatou que o procedimento permaneceu sem movimentação técnica por mais de dois anos devido à ausência de documentos complementares exigidos pela administração municipal.
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O documento também cita uma análise técnica do Núcleo de Apoio Técnico (NAT) do MPAC, que identificou problemas estruturais nos dois cemitérios públicos existentes no município.
De acordo com a certidão técnica, os cemitérios são antigos e foram implantados sem planejamento urbanístico e sem estudos ambientais prévios, apresentando falhas relacionadas ao controle das condições do solo, profundidade do lençol freático e infraestrutura necessária para a atividade.
Risco de contaminação preocupa MP
Entre os principais pontos levantados pelo Ministério Público está o risco de contaminação ambiental provocado pelo necrochorume, líquido resultante da decomposição dos corpos.
Na portaria, a promotora destaca que “a operação de cemitérios sem regularização ambiental efetiva representa risco relevante ao meio ambiente e à saúde pública, notadamente em razão da possibilidade de contaminação do solo e dos recursos hídricos subterrâneos por necrochorume”.
O NAT recomendou uma série de medidas para adequação dos cemitérios, incluindo a implantação de poços de monitoramento das águas subterrâneas, realização periódica de análises da qualidade da água, adequação das condições de sepultamento e elaboração de planos de operação ou, se necessário, de encerramento das atividades com recuperação ambiental das áreas.
Prefeitura terá que prestar esclarecimentos
Como parte das diligências determinadas pelo MPAC, a Prefeitura de Mâncio Lima terá prazo de dez dias para informar quais providências adotou após notificação emitida pelo Imac em novembro de 2025.
O município também deverá apresentar cronograma detalhado das ações de regularização ambiental, comprovar eventual solicitação de Licença de Regularização de Operação (LRO) e informar as medidas emergenciais adotadas para reduzir riscos de contaminação do solo e do lençol freático.
Além disso, a administração municipal terá que indicar o responsável técnico encarregado do processo de regularização ambiental dos cemitérios.
MP quer saber se cemitério está em área protegida
Outro ponto que chamou a atenção do Ministério Público é a possível localização do cemitério “Descanso Eterno” dentro de uma Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE).
Por isso, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) foi oficiada para informar se o local está total ou parcialmente inserido em área protegida e quais restrições ambientais podem incidir sobre o empreendimento.
Caso a hipótese seja confirmada, o órgão ambiental deverá esclarecer se a atividade funerária pode continuar funcionando no local e quais medidas mitigadoras seriam necessárias.
Após receber as respostas dos órgãos envolvidos, o Ministério Público avaliará os próximos passos do procedimento.
Entre as medidas que poderão ser adotadas estão a expedição de recomendação ministerial, a celebração de termo de ajustamento de conduta (TAC) ou até mesmo o ajuizamento de ações judiciais para garantir a regularização ambiental dos cemitérios de Mâncio Lima.


