Cerveró decide falar sobre Pasadena em depoimento à PF

Por Suporte 15/01/2015 às 14:56

2014-707177831-2014-707059062-2014041652253.jpg 20140416.jpg 20140417petrolão

2014-707177831-2014-707059062-2014041652253.jpg 20140416.jpg 20140417O advogado Beno Brandão, que representa o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, afirmou que seu cliente vai negar a existência de qualquer irregularidade na área Internacional da Petrobras, em depoimento a ser realizado na manhã desta quinta-feira na sede da Polícia Federal em Curitiba. Segundo a defesa, ficou combinado que ele falará sobre a negociação das sondas, de Pasadena e sobre as movimentações financeiras pessoais, incluindo a transação de quase R$ 500 mil de resgate em um fundo de previdência, que seria transferido para o nome da filha dele, Raquel Cerveró. O advogado reiterou que a transação não foi feita depois que Cerveró foi alertado que teria de pagar imposto de renda superior a R$ 100 mil.

Cerveró, acusado de ter recebido US$ 40 milhões de propina para a contratação de um navio-sonda usado para perfuração em águas, foi preso nesta quarta-feira, no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, após chegar de Londres, e foi transferido para Curitiba. Brandão conversou com Cerveró e disse que ele foi bem tratado e permaneceu tranquilo na primeira noite na carceragem da PF.

Perguntado se Cerveró admitiria a existência de irregularidades na área Internacional da Petrobras, Brandão negou:

– Ele não vai admitir irregularidades, isso é o que me foi passado por ele e pelo advogado titular da causa – afirmou Brandão.

O advogado Edson Ribeiro, que esteve ontem na sede da PF em Curitiba, havia dito antes de falar com o delegado que seu cliente se reservaria ao direito de permanecer calado nos depoimentos, mas mudou de ideia no fim do dia. Ribeiro disse que Cerveró falaria apenas sobre as movimentações financeiras e imobiliárias, que foram usadas como argumento pelo Ministério Público Federal para pedir a prisão preventiva do ex-diretor. Nesta manhã, Brandão foi além e disse que Cerveró falará também sobre Pasadena e sobre os contratos feitos para aquisição de sondas.

A aquisição de sondas com valores superfaturados e depósitos de propina feitos no Brasil e no exterior foram denunciados pelo consultor Júlio Gerin Camargo, que assinou acordo de delação premiada. Camargo não só delatou, como relatou a PF valores, entregou documentos e indicou contas onde teriam sido depositados fora do Brasil pelo menos US$ 30 milhões. Parte do dinheiro foi repassado por meio do doleiro Alberto Youssef, que usou contratos de mútuo – empréstimo entre empresas – para justificar repasses feitos a empresas de fachada por três empresas de Camargo, a Treviso, Piemonte e a Auguri.

Para o advogado, Camargo fez a denúncia para se beneficiar na Justiça. Na prática, se não houvesse irregularidades, Camargo não teria motivo para buscar benefício judicial.

 

Conteúdo Original / Fonte: O Globo

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