O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) abriu uma investigação para apurar denúncias de ameaças contra uma liderança indígena e a suposta atuação de integrantes de organização criminosa em uma comunidade localizada no município de Porto Walter, no interior do estado.
As primeiras diligências ocorreram na terça-feira (14), quando uma equipe do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) esteve na aldeia para conversar com moradores, coletar depoimentos e levantar informações que servirão de base para um relatório técnico sobre o caso.
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A operação foi conduzida pelo promotor de Justiça Júlio César de Medeiros Silva, coordenador-geral em exercício do Gaeco. Para chegar até a comunidade, a equipe contou com o suporte da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), que disponibilizou aeronaves do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer).
A visita também teve a participação de um integrante do Projeto Txai, programa desenvolvido pelo MPAC voltado ao fortalecimento da proteção dos povos indígenas e ao acompanhamento de políticas públicas relacionadas à saúde, educação e segurança nas aldeias acreanas.
Segundo o Ministério Público, as informações reunidas até o momento apontam que a região pode estar sendo alvo da atuação de grupos criminosos interessados em controlar rotas fluviais utilizadas para o tráfico internacional de drogas. Ainda conforme as investigações, essa disputa teria provocado um ambiente de intimidação nas comunidades, além da tentativa de recrutamento de moradores em situação de vulnerabilidade.
Durante as diligências, foram colhidos relatos que indicam possíveis ocorrências de crimes como ameaças, tráfico de drogas, furto qualificado e associação com organização criminosa. O material será analisado pelo Gaeco para definir os próximos passos da investigação.
Além da coleta de depoimentos, o Ministério Público determinou novas medidas para aprofundar o caso, entre elas a solicitação de informações à Polícia Civil e o compartilhamento de dados de inteligência relacionados à atuação de facções na região.
O órgão também informou que pretende atuar em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), com o objetivo de fortalecer a proteção da comunidade indígena e ampliar as ações de fiscalização no local.
As investigações continuam e buscam esclarecer a extensão da atuação criminosa na região, além de identificar todos os envolvidos para que sejam responsabilizados na forma da lei.
