Um relatório do Serasa Experian aponta que o Acre ficou em 4º lugar no ranking de inadimplência da população rural, com 13,4%, atrás apenas do Amapá, com 21,2%; Amazonas, com 15%; e Roraima, com 14,4%.
SAIBA MAIS: Calote de grandes produtores põe Acre no topo da inadimplência rural
Em nota, o Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento do Acre destacou que o contexto na Região Norte ‘é agravado por fatores históricos e estruturais, como elevados custos logísticos, deficiência de infraestrutura, distância dos grandes centros consumidores, dificuldades de acesso a insumos, além dos desafios climáticos, fundiários e ambientais que impactam diretamente a atividade produtiva’.
Além disso, o Fórum ressalta que a situação vivenciada pelos produtores rurais brasileiros é de amplo conhecimento e vem sendo debatida junto ao governo federal. “Tanto que, reconhecendo as severas dificuldades financeiras enfrentadas pelo setor, o Poder Executivo editou recentemente a Medida Provisória nº 1.376, de 15 de julho de 2026”, disse.
De acordo com a nota, a medida provisória autoriza a criação de novas linhas de crédito para a recomposição e regularização das dívidas dos produtores que sofreram perdas pelas mudanças climáticas e quebras de preço de comercialização nos últimos anos. “Essa ação oficial reforça que o endividamento do produtor rural é uma crise estrutural que demanda políticas de mitigação e refinanciamento, não sendo um problema de gestão isolada”, destaca.
Confira a nota na íntegra:
NOTA DE MANIFESTAÇÃO
O Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento do Acre manifesta sua preocupação com a manchete da matéria publicada pelo portal ContilNet, intitulada “Grandes fazendeiros lideram calotes e jogam Acre no topo do ranking de inadimplência rural”, por considerar que a expressão utilizada não retrata, de forma adequada, a realidade enfrentada pelo setor produtivo.
Os dados divulgados pela Serasa Experian tratam de indicadores de inadimplência, realidade que afeta o agronegócio em diversas regiões do país e que decorre de um cenário econômico complexo.
No caso da Região Norte, esse contexto é agravado por fatores históricos e estruturais, como elevados custos logísticos, deficiência de infraestrutura, distância dos grandes centros consumidores, dificuldades de acesso a insumos, além dos desafios climáticos, fundiários e ambientais que impactam diretamente a atividade produtiva.
A situação vivenciada pelos produtores rurais brasileiros é de amplo conhecimento e vem sendo debatida junto ao Governo Federal, tanto que, reconhecendo as severas dificuldades financeiras enfrentadas pelo setor, o Poder Executivo editou recentemente a Medida Provisória nº 1.376, de 15 de julho de 2026.
A MP autoriza a criação de novas linhas de crédito para a recomposição e regularização das dívidas rurais de produtores que sofreram perdas climáticas e quebras de preço de comercialização nos últimos anos. Essa ação oficial reforça que o endividamento do produtor rural é uma crise estrutural que demanda políticas de mitigação e refinanciamento, não sendo um problema de gestão isolada.
Diante desse cenário, o Fórum Empresarial entende que o uso da palavra “calote” atribui, de forma indevida, a ideia de intenção deliberada de não pagamento. Essa interpretação não corresponde ao esforço que produtores rurais de todo o país vêm realizando para manter suas atividades e honrar seus compromissos, mesmo diante de um ambiente econômico adverso.
Da mesma forma, a associação direta da situação aos grandes produtores, sem a devida contextualização dos dados apresentados, contribui para uma leitura simplificada de um problema que possui causas amplas e afeta diferentes perfis de produtores rurais.
O Fórum Empresarial do Acre reafirma seu respeito à liberdade de imprensa e ao trabalho dos veículos de comunicação, mas ressalta que a responsabilidade na escolha das manchetes e da linguagem utilizada é fundamental para que a informação seja transmitida com equilíbrio, precisão e justiça, especialmente quando envolve um dos setores mais importantes para a economia acreana.
Neste sentido, o Fórum Empresarial solicita ao portal ContilNet a revisão da manchete e da abordagem adotada, de modo que reflitam com maior fidelidade o conteúdo dos dados apresentados, evitando interpretações que possam comprometer injustamente a imagem dos produtores rurais e do agronegócio acreano.
