Defesa de antigo dono rebate versão sobre fazenda de R$ 2,5 mi no Acre
Uma disputa envolvendo uma propriedade rural localizada no km 21 da estrada entre Sena Madureira e Rio Branco ganhou um novo capítulo após a repercussão do caso.
A defesa de Manoel Izidoro da Silva Filho, antigo proprietário da área conhecida como Colônia Betel, encaminhou ao ContilNet uma nota apresentando sua versão sobre a negociação e a decisão judicial que determinou a reintegração de posse.
Inicialmente, informações divulgadas pelo site Yaco News apontavam que a propriedade havia sido negociada por aproximadamente R$ 2,5 milhões e que o comprador teria pago cerca de R$ 2,05 milhões. O impasse estaria relacionado à documentação necessária para concluir a negociação.
Na manifestação enviada ao ContilNet, porém, o representante legal de Manoel Izidoro contesta essa versão. Segundo a nota, o imóvel foi negociado de “porteira fechada”, incluindo 210 cabeças de gado, pelo valor de R$ 2,5 milhões.
A defesa afirma que uma parcela de R$ 500 mil, com vencimento em março de 2026, não teria sido paga no prazo. Também sustenta que parte da entrada do negócio, avaliada em R$ 550 mil, seria composta por um prédio comercial em Rio Branco, mas que o imóvel apresentado como pagamento não pertenceria ao comprador.
Outro ponto levantado pela defesa é que cabeças de gado existentes na propriedade teriam sido comercializadas antes da quitação do negócio. De acordo com a nota, os supostos descumprimentos contratuais teriam levado Manoel Izidoro a notificar o comprador para devolver a propriedade.
“Aproveitando-se de estar na fazenda, o comprador começou a vender as cabeças de gado do Sr. Manoel sem ter terminado de pagar pela propriedade, dilapidando o patrimônio do idoso. Diante desse descumprimento gravíssimo de contrato (que somado chega a 1 milhão e meio de reais em inadimplência), o Sr. Manoel Izidoro notificou o comprador para que ele devolvesse a fazenda, mas foi ignorado”, escreveu.
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A defesa também menciona um depósito judicial de R$ 500 mil, que teria sido realizado posteriormente pelo comprador. Na avaliação do representante de Manoel, o pagamento ocorreu após a determinação judicial para a saída da propriedade e não seria suficiente para solucionar as pendências apontadas no contrato.
Foi nesse contexto que a Justiça determinou a reintegração de posse da Colônia Betel em favor do antigo proprietário.
As afirmações apresentadas pela defesa de Manoel Izidoro representam a versão de uma das partes envolvidas na disputa.
Confira a nota na íntegra:
Nota de Esclarecimento – A verdadeira história sobre a reintegração de posse no KM 21 (Colônia Betel)
Em atenção à matéria publicada por esta página sobre a reintegração de posse de uma propriedade no KM 21, viemos a público, em nome do Sr. Manoel Izidoro da Silva Filho, esclarecer a verdadeira versão dos fatos, baseada em provas documentais e no processo judicial, para evitar que a população seja induzida ao erro por informações tendenciosas.
O Sr. Manoel Izidoro não é um vilão nesta história. Ele é um idoso trabalhador de 77 anos de idade uma família tradicional de Sena Madureira que todos conhecem pela boa índole, que dedicou 35 anos de sua vida para construir a propriedade rural conhecida como Colônia Betel. Já cansado do trabalho pesado, decidiu vender a fazenda de “porteira fechada” (incluindo 210 cabeças de gado) pelo valor de R$ 2,5 milhões.
Diferente do que foi espalhado anonimamente nos “bastidores”, é FALSO que o comprador (Sr. Márcio Beraldo) tenha pago R$ 2,05 milhões de forma correta. A verdade que consta no processo é que o comprador agiu de extrema má-fé, causando prejuízos imensos ao idoso, pelos seguintes motivos:
O comprador simplesmente não pagou a parcela de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) que venceu em março de 2026.
Como parte do pagamento (equivalente a R$ 550.000,00) referente a entrada do negócio, o comprador entregou um prédio comercial em Rio Branco que não era dele. Ele usou documentos de uma terceira pessoa que também não é a dona legal do imóvel. Ou seja, o Sr. Manoel Izidoro foi enganado e nunca recebeu a propriedade desse bem.
Aproveitando-se de estar na fazenda, o comprador começou a vender as cabeças de gado do Sr. Manoel sem ter terminado de pagar pela propriedade, dilapidando o patrimônio do idoso.
Diante desse descumprimento gravíssimo de contrato (que somado chega a 1 milhão e meio de reais em inadimplência), o Sr. Manoel Izidoro notificou o comprador para que ele devolvesse a fazenda, mas foi ignorado.
Em suma, o senhor Marcio Beraldo está querendo se passar por vítima quando na verdade ele descumpriu escancaradamente o contrato e agiu de má-fé ao dar como parte do pagamento um imóvel que não era de sua propriedade.
A decisão inicial da Justiça que devolveu a fazenda ao Sr. Manoel foi uma medida correta e urgente para proteger o patrimônio de um idoso que estava sendo vítima de uma fraude contratual. O depósito judicial de 500 mil reais feito pelo comprador recentemente ocorreu apenas por desespero, após ele ser forçado a sair da terra pela Justiça, não cobrindo sequer as multas contratuais pelo seu atraso.
Acreditamos na Justiça e na imprensa livre. Por isso, pedimos que esta página, em respeito ao bom jornalismo e ao princípio do contraditório, publique esta nota para que os cidadãos de Sena Madureira e de todo o Acre conheçam a verdade completa.
Atenciosamente,
MICHAEL KELLES DE SOUZA SILVA
Representante Legal de Manoel Izidoro da Silva Filho