Descaso: medicamentos de combate ao câncer só chegarão ao HC depois do Carnaval

Por Suporte 02/02/2015 às 21:28

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Pacientes do Hospital do Câncer (HC), em Rio Branco, esperam ansiosamente a chegada e o término do Carnaval deste ano, afinal, os principais remédios para seus tratamentos estão em falta e a previsão de chegada é depois da folia.

Depois de receber um e-mail de uma paciente do HC denunciando a falta do medicamento Tamoxifen para o tratamento quimioterápico, a reportagem da ContilNet Notícias foi até o Hospital do Câncer e conversou com alguns pacientes, que confirmaram a falta de outro medicamento importante no tratamento do câncer de mama e ovário, entre outros.

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“A situação é delicada”, disse a paciente Maria José, que mora na rua Minas Gerais, no centro, e que estava à espera de uma consulta.

“Temos que fazer esse percurso do centro até aqui, ao HC, para se consultar e também fazer a quimioterapia. Quando vamos fazer a quimioterapia, é mais rápido, passamos direto para realizar os procedimentos, mas a consulta nos deixa cansada. E agora que os medicamentos estão em falta, a situação preocupa ainda mais, já que o tratamento não pode parar, tendo em vista que às vezes perde a eficácia”, disse Maria.

Uma das pacientes, que não quis se identificar com medo de represálias em seu tratamento, explicou que o remédio Doxorrubicina, importante para vários casos de câncer, está em falta há duas semanas.

“Para não interromper o tratamento, tive que comprar o remédio, o que já é um absurdo, tendo em vista que a gestão do hospital deveria avaliar quando os medicamentos estivessem acabando para adquirir mais e não deixar faltar. Soubemos que nem previsão existe para a chegada dos medicamentos em falta. O nosso Sistema Único de Saúde [SUS] tem deixado muito a desejar. Eu posso comprar o medicamento, como foi necessário, mas e as pessoas que muitas vezes têm somente o dinheiro para pegar o ônibus para chegar até aqui e realizar seu tratamento? São essas coisas que nossos governantes deveriam avaliar e estar mais empenhados em resolver o problema de saúde da população”, destacou, bastante revoltada, a paciente.

A reportagem da ContilNet Notícias procurou a gerência do HC para saber os motivos da falta dos medicamentos, mas a gerente Mirza Vanir não se encontrava em sua sala. Os servidores do departamento de recursos humanos, que atenderam a reportagem, disseram que os medicamentos estavam previstos para chegar ao hospital logo após o período de Carnaval.

A assessoria da Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre) explicou que o atraso na aquisição dos medicamentos aconteceu porque empresas não se habilitaram para vender os medicamentos e outras não adotaram o valor exigido na tabela de licitação.

Segundo a assessoria, um processo de compra emergencial suspendendo a licitação foi adotado para garantir a aquisição dos medicamentos no prazo de 10 dias, para que o tratamento continue sendo realizado sem paralisação.

Sobre as goteiras nos leitos de realização da quimioterapia, denunciadas pelos pacientes, a assessoria disse que o problema foi identificado e está sendo resolvido.

Conteúdo Original / Fonte: Wiliandro Derze, da ContilNet Notícias

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