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Há seis meses, as luminárias de alta potência que clareavam a fachada do Parque do Tucumã estão queimadas. Os equipamentos ficam em dois extremos da imensa área verde, onde a escuridão impõe medo e insegurança à comunidade.
“Metade das famílias que costumavam caminhar aqui desistiram. Ninguém se sente seguro em andar sozinho. Mulheres sem a companhia de um homem se tornam alvo fácil dos bandidos”, conta o funcionário da Acreplast, Alcione Falcão.
A mulher de Falcão, dona Denise, diz que só vai para a escola acompanhada da filha de 15 anos. “Ela fica das 18 horas às 22 horas me esperando. Nós voltamos juntas. Só assim eu me sinto segura”, conta a mulher.
O casal conta que muitos pedestres e ciclistas usam a margem da estrada que dá acesso ao Aeroporto Internacional de Rio Branco, mesmo dividindo o pequeno espaço com veículos que trafegam em velocidade constante, acima de 60 Km/h. “A iluminação das laterais foram retiradas. Existem propriedades particulares que fazem divisa com o Parque Tucumã. Tudo é um breu só”, diz Alcione.
Ao cair da tarde, os símbolos do Estado e a logomarca promocional do governo são ofuscados pela falta de luz. Somente são vistos quando se chega bem perto. É quando se percebe que luminárias menores, caras, também estão desativadas.
As rondas policiais, antes frequentes, não existem mais, favorecendo a ação de vândalos que depredam bancos e até a estrutura dos parquinhos destinados às crianças. “Depois das 18 horas fica difícil andar aqui com a família”, conta um desempregado acompanhado da mulher, filhos e sobrinhos.
A reportagem de ContilNet encontrou um grupo de jovens que sofreu assalto à mão armada às 16 horas, há 30 dias. Eles tomavam tererê e jogavam baralho quando um carro parou. Todos foram rendidos por dois homens que usavam revólveres calibre 38. Cinco celulares foram levados.
Uma das vítimas de violência no Parque do Tucumã conta que foi abordada por um criminoso armado e passou a caminhar na companhia do namorado. Os usuários do parque até apelidaram de “a ponte do medo” o acesso mais escuro do local.
Menores que conversaram com a reportagem apontaram grupos de assaltantes que permanecem à espreita. “Eles tomam celular, tênis e bicicleta. Depois das 9 da noite eu tenho que estar em casa, senão minha mãe não deixa eu ver minha namorada no dia seguinte”, conta um estudante de 17 anos.
A delegacia de polícia que “atende” a comunidade não registra queixa-crime de furto, roubos e assaltos. As vítimas são orientadas a fazer ocorrência na especializada em combate a assaltos (GAP), situada no bairro Bosque.
O governo do estado, por anos, vendeu a imagem do Parque do Tucumã como sendo um lugar aprazível, seguro, familiar e ambientalmente saudável.
Secretário de Obras não é localizado; PM diz ter controle da segurança
A reportagem de ContilNet tentou localizar o secretário de Obras do Acre, Leonardo Neder, para ouví-lo sobre as queixas dos moradores que frequentam o Parque do Tucumã. A redação fez três tentativas de contato através do celular final 33.
O major José Messias, comandante do 4º Batalhão, negou haver grandes ocorrências de violência ou crimes contra o patrimônio na área do Parque do Tucumã. O contato foi feito na manhã de segunda-feira.
“Por ser feriado, não tenho em mãos os dados para lhe fornecer. Mas nós temos uma dupla de policiais que faz ronda em motocicleta e, sempre que necessário, uma Rádio Patrulha e o Grupo Giro são acionados. É importante acrescentar que as opiniões vindas de moradores quase sempre são superdimensionadas”, disse o militar.
O major concorda que a logística de atendimento ao usuário podia ser melhor. Ele se refere ao fato de a ocorrência ser registrada somente no Grupo Anti-assalto, no Bairro Bosque, distante 7 quilômetros do parque.