Dark Horse: ex-assessora ligada ao Acre aparece em investigação da PF
Paula de Oliveira Lima, que trabalhou como secretária parlamentar do deputado federal Mário Frias, aparece na decisão que autorizou uma operação da Polícia Federal para investigar possíveis desvios envolvendo emendas parlamentares. As informações foram divulgadas pela coluna da jornalista Miriam Leitão.
Antes de atuar no gabinete de Mário Frias, Paula foi beneficiária do Auxílio Emergencial entre maio de 2020 e maio de 2021. Naquele período, os registros indicavam endereço em Rio Branco, no Acre.
Depois do período em que esteve à frente da Agência Loop, ela voltou a aparecer em registros profissionais no Acre. Entre março e outubro de 2025, trabalhou como supervisora de digitação e operação na Mult Graf Indústria Gráfica, empresa sediada em Rio Branco.
Segundo o documento, Paula ocupou o cargo no gabinete de Frias entre fevereiro e abril de 2024. Dois dias depois de deixar a função, ela abriu a Agência Loop, empresa que posteriormente firmou um contrato de R$ 311,3 mil com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), produtora responsável pela produção do filme “Dark Horse” do ex-presidente da república, Jair Bolsonaro.
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A empresa foi criada em 4 de abril de 2024 e apresentou uma proposta comercial ao instituto ainda naquele mês. As atividades foram encerradas em fevereiro de 2025. O contrato previa seis meses de prestação de serviços.
A decisão também chama atenção para o endereço registrado pela empresa. Segundo o relatório, o imóvel tem características residenciais e “Agência Loop” não aparecia como nome fantasia no cadastro do CNPJ. Paula também esteve ligada a outra empresa com o mesmo nome, registrada em Brasília em 2023.
Entenda a investigação sobre “Dark Horse”
A Polícia Federal investiga se recursos públicos provenientes de emendas parlamentares foram desviados e acabaram chegando à estrutura responsável pela produção de “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A apuração resultou na Operação Make Up, que cumpriu 49 mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (10), com autorização do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Um dos principais alvos é o deputado federal Mário Frias (PL-SP), que também atua como roteirista e produtor-executivo do filme. As investigações alcançam ainda Karina Ferreira da Gama, presidente do Instituto Conhecer Brasil (ICB) e proprietária da Go Up Entertainment, produtora ligada ao longa. O ICB recebeu recursos de emendas indicadas por Frias.
A suspeita da PF é de que R$ 750 mil repassados à produtora de “Dark Horse” possam ter origem em dinheiro público. Segundo a investigação, valores destinados inicialmente a projetos executados pelo ICB teriam percorrido empresas intermediárias antes de chegar à produtora durante o período de filmagens. Relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) integram os elementos analisados.
A PF apura possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraudes em licitações. As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam condenação dos envolvidos. Frias já negou irregularidades envolvendo suas emendas, enquanto Karina Gama também afirmou anteriormente que os recursos foram aplicados corretamente.