A cantora Gaby Amarantos explodiu o Palácio Rio Branco
A artista paraense Gaby Amarantos não apenas deu um show de simpatia e beleza durante sua passagem pelo Acre, como também mostrou que o Norte do Brasil produz arte da mais alta qualidade, com uma performance que explodiu o Palácio Rio Branco na noite deste domingo (13), no encerramento da Parada LGBTQIA+.
Foi uma explosão que incendiou os corações do público presente, que vibrava com o corpo e estrondava os leques ao som da resistência, fazendo ecoar um grito que há muito tempo não se ouvia no centro da capital acreana.
Figurinos, coreografias, dançarinos e interação com o público: tudo impecável. A musa do Rock Doido — título do último álbum da cantora — não poupou energia. Fez das escadarias do Palácio uma espécie de santuário para também honrar ancestrais, povos originários, orixás, as barrancas e os rios caudalosos do Norte do Brasil.
Gaby Amarantos é um escândalo, no sentido mais completo da palavra. Fez sacudir quem queria sacudir e deixou quietinho, admirando, com os olhos brilhando e até marejados, quem não conseguia piscar de tão deslumbrado com sua arte sofisticada, nascida na “periferia do Brasil”.
Palácio Rio Branco ficou lotado/Foto: Lucas Dourado
Gaby não faz show. Gaby faz espetáculo.
E, como se toda aquela beleza já não bastasse, a paraense ainda fez um gesto lindo e generoso ao abrir espaço para que a Fluxo Cia de Artes — grupo formado por jovens dançarinos talentosos — desse um show à parte durante sua apresentação.
Não posso deixar de comentar também o sucesso que foi a 20ª Semana da Diversidade e a própria Parada do Orgulho, que tomou as ruas do centro de Rio Branco de forma estrondosa. Clementaum — a DJ de São Paulo que estremeceu o trio elétrico e a Avenida Ceará — foi outro espetáculo que merece destaque.
Meus parabéns a todos os organizadores, aos quais reverencio em nome dos queridos amigos Germano Marino, Geh Alencar, Izanelda Magalhães e Henrique Sales. O Acre precisa muito da coragem e do trabalho imprescindível de vocês, que metem a cara apesar dos desafios e do pouco incentivo.
A sensação que me tomou neste domingo — além de uma enorme satisfação — foi também a de carência cultural. Precisamos de outros eventos dessa envergadura, capazes de reflorestar nossos corações e dar algum fôlego de esperança em meio a tempos tão difíceis, marcados por ataques às diferenças.
Que os nossos governantes também deem a força necessária para que outras paradas aconteçam e para que nossos artistas possam mostrar o talento que têm.
Aos que ainda insistem na ideia de que tudo isso é “só uma festa e muita farra”, reafirmo: dancemos. Dancemos esmagando a intolerância, celebrando a diversidade e festejando nossas existências.
Festa também é revolução.