A crise na Bolívia, que atinge brasileiros que vivem nos municípios acreanos de Epitaciolândia e Brasiléia e que estudam em território boliviano, chegou ao outro lado do mundo. O presidente da Rússia, Wladimir Putin, acusou a oposição boliviana, responsável pela queda do presidente Evo Morales, de promover um golpe de estado no país com o apoio dos Estados Unidos.
A posição de Putin foi comunicada à embaixada do país no Brasil, informou o Itamaraty, a casa d diplomacia brasileira. O alerta do governo Putin ocorre às vésperas da cúpula dos Brics, nos dias 13 e 14 deste mês, em Brasília. O Brics é a sigla da reunião do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, um colegiado criado para discutir o fortalecimento de cooperações em ciência, tecnologia e economia digital. O tema da reunião deste ano no Brasil é o crescimento econômico para um futuro inovador. O Brics representam aproximadamente 42% da população, 23% do PIB, 30% do território e 18% do comércio mundial – números que demonstram a grandeza do bloco. Juntos, representantes desses países vêm a Brasília debater acordos e o fortalecimento de cooperações em ciência, tecnologia e economia digital.
Em 2019, o Brasil tem a missão de exercer a presidência de turno do grupo. Além desses eventos, ocorrem as cúpulas presidenciais, com a presença dos governantes à margem do G20, formação que reúne as maiores economias do mundo. Este ano, o evento do G20 ocorreu em Osaka, no Japão. O Brics chega a organizar, ao longo de um ano, cerca de 100 reuniões e eventos técnicos em áreas diversas como cultura, educação e esporte.
A diplomacia brasileira está receosa, no entanto, em função do apoio do governo brasileiro, via presidente Jair Bolsonaro, à oposição Evo Morales na Bolívia, que deve assumir o poder no país a partir desta segunda-feira (11). O governo de Vladimir Putin acusou a oposição boliviana de promover uma onda de violência e insinuou que a tentativa de Evo Morales de promover o diálogo foi minada. Moscou também usou a palavra “golpe” para descrever o que havia ocorrido em La Paz nas últimas horas e mandou um recado aos países sul-americanos.
A mensagem foi interpretada nos meios diplomáticos como um alerta especialmente dirigido ao Brasil, EUA e OEA. Num comunicado emitido na manhã desta segunda-feira, o governo russo ainda pediu que as forças políticas demonstrem solidariedade a Evo Morales e a tendência é o enfraquecimento das relações russas com quem de aliar ao novo governo boliviano.
