Governo terá muita dificuldade “para sair do beco”, diz Marina Silva; veja a entrevista

Por Suporte 23/03/2015 às 12:52

14301546entrevista

14301546Em resposta por e-mail a questões da “Ilustríssima”, Marina Silva, candidata à Presidência em 2014, diz que o governo terá muita dificuldade “para sair do beco”. Ela não crê numa “mudança verdadeira” da atual coalizão e considera que a permanência no poder a todo custo aprofunda a cultura do patrimonialismo.

Folha – O capital político da presidente Dilma foi rapidamente corroído após as eleições. Ela parece desagradar não apenas os que votaram na oposição mas também setores de seu eleitorado que se sentem ludibriados pelo discurso de campanha. A presidente tem condições de restabelecer sua autoridade e assumir a liderança do processo, de modo a pacificar o país?

Marina Silva – É evidente que a presidente, seu governo e os partidos que a apoiam terão muita dificuldade de sair do beco em que se meteram. O principal problema é que governo e o PT abandonaram a política como forma de negociar, dialogar, mobilizar e propor um projeto para o país. Não há um plano, e as dificuldades não são referentes à execução de um projeto. As crises são encaradas apenas como circunstâncias e momentos desfavoráveis que podem ser superados por estratégias de marketing, com o objetivo de recuperar a “imagem”, os índices de avaliação positiva nas pesquisas e a “governabilidade”. Isto é, as condições de se manter no poder.

A permanência no poder a qualquer custo aprofunda a cultura do patrimonialismo, que retalha o Estado, suas instituições e orçamentos em feudos partidários, grupais ou até mesmo pessoais. A negociação, nesses termos, dissolveu o sentido público que ela poderia ter. Insistindo nesse sistema, qualquer ação do governo para sair da crise só faz aprofundá-la.

Seria necessário dispor-se a uma mudança grande e verdadeira, não sei se a coalizão governista está disposta a tanto. Um dia desses vi uma charge muito expressiva -os humoristas sempre conseguem captar a essência da situação. Uma pessoa, numa tribuna, perguntava “quem quer mudança?”, e todos na plateia levantavam a mão. Quando ele tornava a perguntar “quem quer mudar?”, todo mundo ficava de cabeça baixa, com expressão
desanimada.

CONFIRA A ENTREVISTA COMPLETA

 

Conteúdo Original / Fonte: Folha

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