O vereador Emerson Jarude, maior representante político do ‘Livres’ no Acre, anunciou nesta semana sua retirada do PSL. De acordo com o parlamentar, a decisão foi tomada após a negociata realizada pelo presidente nacional do partido, Luciano Bívar, para a chegada do presidenciável Jair Bolsonaro ao partido.
Jarude considera a movimentação como um “golpe da política velha” ao projeto encabeçado pelo Livres, considerado por ele a partir de agora como uma entidade suprapartidária em busca da renovação da política brasileira.

Emerson agora segue como vereador sem partido/Foto: Arquivo pessoal
Quanto questionado a respeito da possível intenção movimento de se tornar oficialmente um partido, Emerson fala que a dificuldade em torno da criação de uma sigla, acaba desacelerando esse sonho.
“O Livres tem força para isso, mas a burocracia e o tempo, que dura algo em torno de 5 anos, para abertura de um partido político faz com que o movimento opte em ser uma entidade suprapartidária ou migre para outro partido que aceite fazer o trabalho de renovação política”, disse.
INDEPENDENTES
“O sistema político brasileiro está falido. Os próprios partidos estão se rejeitando ao trocarem seus nomes para tão somente retirar a palavra ‘partido’. A população não quer mais saber de partido, que só tem servido para barganha e alimentar um fundo partidário de 6 bilhões de reais pagos pelo contribuinte. Infelizmente não é possível as candidaturas avulsas (independentes). Acredito que se fosse possível este tipo de candidatura, o Livres seria essa tendência que vai de encontro aos interesses da população.”
Jarude ainda ressalta que essa plataforma política seria a ideal para fortalecer as siglas em todo país, já que as filiações só aconteceriam em caso de total igualdade de ideologias.

“Livres tem força para ser um partido, mas burocracia impede”, disse o vereador/Foto: Arquivo Pessoal
“Com as candidaturas avulsas, teríamos até mesmo o fortalecimento dos partidos, já que somente haveria filiação em caso de identificação ideológica do filiado com o partido. Até o presente momento o partido só tem me prejudicado com suas decisões, e muitas vezes fui vinculado a estas decisões sem que sequer tenha feito parte delas.”
VOTO FACULTATIVO
“Sou favorável. Muitos brasileiros preferem pagar uma multa (de baixo valor) do que ir votar. É uma vontade que deve ser respeitada e acredito que os candidatos teriam que se esforçar muito mais para convencer o eleitor de suas propostas.”
FORA DO BAILE
Quando questionado a respeito de sua decisão de se manter temporariamente como vereador sem partido e todas as adversidades que pode enfrentar devido à postura, Jarude é pontual.
“Quem me conhece sabe que sou totalmente contra negociatas. Devemos sempre fazer o que é melhor para a população. Poucos são os políticos que não tem conchavos. Não tenho medo de ‘ficar fora do baile’ porque as minhas proposições dentro do parlamento são sempre para o interesse da sociedade. Já muitos políticos, fazem questão de não ‘ficar fora do baile’ para atender seus interesses pessoais e muitas vezes é o que os mantém em determinados partidos. A minoria está no partido pela ideologia que este representa”.
DEIXE QUE DIGAM
O vereador enfrentou uma série de críticas de seus opositores até mesmo antes de conseguir seu mandato. O fato de Jarude ter sido eleito com uma plataforma de campanha diferente e sem amarras políticas levantou a desconfiança dos políticos acreanos a mais tempo em atividade.

Emerson abriu mão de verba partidária e fez campanha “pé no chão” /Foto: Arquivo Pessoal
“Quanto mais a velha política nos critica, mais temos a certeza de estar no caminho certo. Primeiramente eles diziam que não seríamos eleito nos moldes de campanha que adotamos: renunciando ajuda financeira do partido, fazendo uma campanha sem placa nas casas, carro de som nas ruas, militância paga. Quando eleito, diziam que eu não cumpriria aquilo que foi proposto durante a campanha. Agora que estamos cumprindo, dizem que sou midiático ou demagogo.”
PRINCÍPIOS
“Para mudar o sistema político que não concordo, é preciso entrar nele. Sempre deixei claro as minhas intenções e forma de trabalhar. Luto pelo que acredito, independente se isso irá me trazer voto ou não e é por isso que eles acham que sempre quero ‘aparecer’. Em minha última decisão, de sair do PSL, eu poderia ter sido oportunista e surfar na onda Bolsonaro, mas preferi manter os meus princípios, que são inegociáveis. Sair do PSL foi uma questão de coerência com todo o trabalho que estávamos realizando no Livres. Com o golpe da velha política em negociar o partido, o barco do Livres afundou e eu permaneci nele.”
