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Mailza corta a mamata das piriguetes e dos boys na Expoacre

Por Wania Pinheiro, ContilNet 10/08/2026 15:17
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Faz muito tempo que frequento a ExpoAcre, a maior feira de negócios do Acre. Já vi muita coisa acontecer naquele espaço. Já acompanhei anos de muito movimento, outros nem tanto, grandes shows, grandes negócios, empresários comemorando bons resultados e também situações que, sinceramente, nunca entendi muito bem.

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Ainda não saiu o relatório oficial com o resultado da ExpoAcre 2026, mas, na minha opinião, esta foi uma das melhores, talvez a melhor, de todas as edições que acompanhei.

E uma das coisas que mais me chamou a atenção foi justamente aquilo que não estava lá.

A ausência dos grandes espaços montados por órgãos públicos, muitas vezes com gastos enormes de dinheiro do contribuinte, foi um dos pontos positivos desta edição.

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Durante anos, assistimos a uma verdadeira farra com dinheiro público. Órgãos instalavam estandes caríssimos, contratavam estruturas, colocavam equipes e, muitas vezes, aquilo acabava virando mais um ponto de encontro do que propriamente um espaço para apresentar serviços à população.

Em alguns desses estandes, principalmente à noite, juntava-se uma ruma de gente para comer, beber e se divertir. E quem pagava a conta? Nós.

O dinheiro era público.

A conta também.

Pois este ano a governadora Mailza resolveu colocar um freio nessa história e proibiu expressamente esse tipo de gasto. E, sinceramente, acho que acertou.

Não é preciso gastar uma fortuna para um órgão público dizer que está presente em uma feira.

Quem deve ocupar aquele espaço é quem produz, quem vende, quem empreende, quem gera emprego, quem paga imposto e quem precisa mostrar seu produto para conquistar novos clientes.

E foi exatamente isso que vimos na ExpoAcre deste ano.

Do pequeno ao grande empresário, todo mundo teve espaço para trabalhar. Vi gente negociando, apresentando produtos, fazendo contatos, fechando negócios. E vi o público prestigiando a feira todas as noites.

É isso que uma feira de negócios deve ser.

Uma feira de negócios.

Não estou dizendo que a ExpoAcre não possa ter diversão. É claro que pode. Os shows fazem parte da programação e ajudam a atrair milhares de pessoas. Mas o entretenimento não pode engolir a finalidade principal de um evento dessa dimensão.

E, nesse aspecto, acho que a organização deste ano conseguiu encontrar um equilíbrio muito melhor.

Mas existe uma coisa que, não só eu, mas que outros colegas consideram errada e que precisa ser discutida: a relação dos grandes artistas com a imprensa.

Não estou falando de todos. Existem artistas extremamente atenciosos, que compreendem perfeitamente o papel dos jornalistas e fazem questão de conversar com a imprensa.

Mas também existem aqueles que chegam ao Acre, passam três horas no palco, recebem milhões de reais e não conseguem disponibilizar sequer alguns minutos para atender os profissionais que estão trabalhando no evento.

Ora, vamos combinar.

Se o artista está vindo ao Acre contratado com dinheiro público, nada mais razoável do que existir no contrato uma cláusula estabelecendo que ele deve atender a imprensa durante alguns minutos.

Não estou falando em transformar o artista em entrevistado durante horas.

Dez, quinze minutos.

Uma coletiva.

Algumas perguntas.

Um mínimo de respeito por quem está ali trabalhando.

Porque existe uma coisa que algumas pessoas parecem esquecer: imprensa também trabalha.

E trabalha muito.

Enquanto muita gente está se divertindo na ExpoAcre, tem jornalista, fotógrafo, cinegrafista, motorista, editor e toda uma equipe correndo de um lado para outro para levar informação ao público.

Muitos chegam antes, ficam até depois do encerramento, enfrentam calor, cansaço, empurra-empurra e, muitas vezes, condições nada confortáveis para fazer aquilo que escolheram como profissão.

É fácil debochar da imprensa.

É fácil dizer que jornalista é isso ou aquilo.

É fácil criticar quando uma notícia não agrada.

Difícil é reconhecer que, todos os dias, são esses profissionais que estão nas ruas apurando fatos, ouvindo pessoas, conferindo informações e levando notícias para milhares de acreanos.

Não estou dizendo que não existam exceções.

Existem.

Assim como em todas as profissões, existem os bons e os maus profissionais. Existem pessoas de caráter e pessoas sem caráter. Existem aqueles que trabalham com seriedade e aqueles que não honram a profissão.

Mas não podemos julgar uma categoria inteira pelos erros de alguns.

Posso afirmar, depois de 44 anos trabalhando no jornalismo, que a maioria dos profissionais dessa profissão sofrida e desafiadora é formada por gente de bem.

Gente que acorda cedo.

Gente que corre atrás.

Gente que enfrenta dificuldades.

Gente que quer simplesmente cumprir sua função com dignidade e ganhar o seu pão de cada dia.

Por isso, acho que os grandes artistas que vêm ao Acre precisam compreender que imprensa não é inimiga. Jornalista não é inimigo.

Muito pelo contrário.

É através de jornalistas arrochados, que trabalham todos os dias, que a população fica sabendo das notícias completas e confiáveis.

A imprensa divulga os artistas, divulga os shows, divulga os eventos e ajuda a levar o nome dessas pessoas para o público.

Respeito, portanto, deveria ser uma via de mão dupla.

No mais, só tenho que parabenizar a governadora Mailza, o chefe da Casa Civil, Cristóvão, e toda a equipe responsável pela organização da ExpoAcre 2026.

Ainda vamos esperar os números oficiais para saber quanto a feira movimentou, quantos negócios foram fechados e qual foi o resultado econômico do evento.

Mas uma coisa já dá para dizer: o que vimos foi uma ExpoAcre mais organizada, mais voltada para os negócios e, principalmente, mais cuidadosa com o dinheiro público.

E isso, num estado onde cada real precisa ser tratado com responsabilidade, já é uma grande notícia.

Que venha a próxima ExpoAcre.

E que o modelo deste ano seja aperfeiçoado, mantido e, se possível, melhorado.

Porque quando o dinheiro público é respeitado, o empresário trabalha, o público participa e o Acre ganha.

E isso, no fim das contas, é o que realmente importa.

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