Mailza e Alan parecem dois Neros em uma Roma pegando fogo
A disputa pelo Governo do Acre parece ter mudado de endereço. Sai um pouco das ruas, dos palanques e das agendas de campanha e entra com força nos corredores da Justiça Eleitoral.
Mailza Assis e Alan Rick transformaram a eleição numa espécie de disputa entre os Neros de Roma. E, enquanto Roma arde, os dois lados parecem mais interessados em saber quem consegue atingir primeiro o adversário.
Representações, pedidos de multa, acusações de propaganda irregular, conduta vedada e uma sequência de denúncias passaram a fazer parte do cotidiano da campanha. A impressão é de que os departamentos jurídicos estão trabalhando tanto quanto — ou até mais que — os responsáveis pelos programas de governo.
Ringue eleitoral
O problema é que eleição deveria ser confronto de projetos.
Mailza governa o Acre e quer permanecer no comando. Alan quer ocupar a cadeira dela. Naturalmente, os dois deveriam estar sendo pressionados a responder como pretendem enfrentar os problemas que estarão sobre a mesa do próximo governador.
Mas a disputa dos Neros está mais parecida com um ringue do que com um pleito eleitoral em que as propostas deveriam ocupar o centro do processo.
Um bate, o outro responde. Um vai à Justiça, o outro protocola outra ação. Uma campanha acusa, a outra devolve. E assim vai.
Enquanto isso, o Acre…
O Acre não está exatamente numa situação em que seus candidatos possam se dar ao luxo de passar a campanha inteira discutindo apenas um ao outro.
Existem problemas estruturais graves esperando respostas. Saúde, infraestrutura, saneamento, situação fiscal, funcionalismo, geração de emprego, desenvolvimento econômico e a realidade dos municípios isolados são apenas alguns deles.
É sobre isso que Mailza e Alan deveriam ser obrigados a falar todos os dias.
A eleição vai escolher quem administrará o Estado pelos próximos quatro anos. Até aqui, porém, em muitos momentos parece que a pergunta central da campanha deixou de ser “o que fazer pelo Acre?” para virar “o que podemos encontrar contra o adversário?”.
Gabinetes paralelos
E não são apenas os candidatos que estão nessa guerra.
Nos bastidores, os dois principais grupos montaram verdadeiros gabinetes paralelos de comunicação. Parte considerável da energia dessas estruturas estaria voltada para produzir, abastecer e disparar ataques contra o lado adversário.
É uma máquina funcionando permanentemente.
O objetivo é simples: encontrar o fato, construir a narrativa, entregar aos canais certos e esperar a repercussão. Do outro lado, a engrenagem funciona praticamente da mesma maneira.
A campanha de 2026 está virando uma eleição em que há gente demais procurando cadáver no armário do adversário e gente de menos explicando como pretende governar o Acre.
Boca fora do fogo
Ontem, na TV Gazeta, sabatinei Tião Bocalom (PSDB), candidato ao Governo, e uma coisa ficou bastante clara: Boca não parece interessado em entrar no incêndio montado por Mailza e Alan. Faz certo.
Se os dois principais adversários querem transformar a eleição num ringue, Bocalom não precisa necessariamente colocar as luvas e subir para trocar socos. Há espaço para quem queira discutir a eleição por outro caminho.
Só existe um problema: vivemos na sociedade do espetáculo. E, gostando ou não, a internet virou um dos principais campos de batalha de qualquer campanha eleitoral.
Boca faz bem ao não entrar diretamente no jogo dos ataques. Mas também não pode acreditar que basta ficar sentado na arquibancada enquanto os outros dois ocupam diariamente as redes, as manchetes e o debate público.
Não precisa entrar no fogo. Precisa encontrar uma maneira de aparecer no meio da fumaça.
Vem bomba por aí
E falando em cadáver no armário…
A coluna recebeu informações sobre uma denúncia grave que estaria prestes a vir à tona envolvendo um deputado e empresas às quais ele seria ligado.
Segundo o relato que chegou à coluna, recursos provenientes do governo estariam chegando a essas empresas e colaboradores vinculados a elas teriam sido colocados para prestar serviços na residência do parlamentar.
Por enquanto, a coluna trata o caso como uma denúncia ainda não comprovada e, justamente por isso, preserva nomes e detalhes até que existam documentos e elementos suficientes para sustentá-la.
Mas a informação que circula nos bastidores é de que o assunto não deve permanecer escondido por muito tempo.
Se houver comprovação do que está sendo relatado, a temperatura dessa Roma eleitoral — que já está alta — pode subir mais alguns graus.