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Mailza e Alan precisam tomar cuidado para que Bocalom não vire o Augusto Cury

Por Everton Damasceno, ContilNet 10/09/2026 05:00
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Tem eleição que se ganha atacando o adversário. E tem eleição que se perde justamente por passar tempo demais fazendo isso. Mailza Assis e Alan Rick precisam ficar atentos.

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Os dois estão travando uma disputa cada vez mais direta pelo primeiro lugar na corrida ao Governo do Acre. Enquanto isso, Tião Bocalom, que aparece em terceiro nas pesquisas, observa a briga de camarote e pode encontrar justamente aí o espaço que precisa para crescer.

Parece exagero? Então olhem para a eleição presidencial.

O cenário nacional que durante meses foi tratado como uma disputa praticamente restrita aos dois primeiros colocados começou a ganhar um terceiro personagem. Augusto Cury saiu do campo dos candidatos que pouco incomodavam e passou a aparecer com números capazes de chamar atenção.

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Bocalom está em terceiro lugar nas pesquisas/Foto: Reprodução

Na pesquisa Datafolha divulgada no início de setembro, Lula apareceu com 38%, Flávio Bolsonaro com 33% e Cury chegou a 8%. Não significa que Cury esteja prestes a vencer a eleição.

Significa outra coisa: ele conseguiu entrar na conversa. E, em política, entrar na conversa já é um passo importante. No Acre, Bocalom pode estar diante de uma oportunidade semelhante.

A pesquisa Quaest divulgada no fim de agosto colocou Alan Rick na liderança, com 33%, Mailza Assis em segundo, com 24%, e Bocalom em terceiro, com 15%.

Alan está 18 pontos à frente de Bocalom. Mailza, nove. Os números parecem confortáveis. Mas eleição não se ganha olhando apenas para quem já tem voto. É preciso olhar também para quem ainda não decidiu.

25% ainda está fora do jogo

Aqui está um dos pontos mais interessantes da pesquisa. Além dos 33% de Alan, dos 24% de Mailza e dos 15% de Bocalom, há uma parcela considerável do eleitorado que ainda não está fechada com nenhum dos principais candidatos. São 17% de indecisos. Outros 8% afirmam que pretendem votar em branco, nulo ou não comparecer.

Ou seja: 25% estão fora da conta dos três principais nomes. E tem mais. Quatro em cada dez eleitores disseram que ainda podem mudar de voto. É muita gente.

Isso significa que os números da Quaest são uma fotografia. E fotografia de eleição, todo mundo sabe, pode envelhecer rápido.

É justamente nesse eleitorado sem dono que Bocalom pode tentar buscar combustível para sair dos 15%.
Enquanto dois brigam…

Mailza e Alan têm motivos para se enxergarem como adversários diretos. Alan lidera e precisa defender a liderança. Mailza está em segundo e precisa reduzir a distância. Naturalmente, os dois vão mirar um no outro.

O problema é quando a disputa vira uma obsessão. Porque, enquanto Alan tenta tirar votos de Mailza e Mailza tenta tirar votos de Alan, existe um terceiro candidato com 15% esperando uma oportunidade.

E Bocalom não é um desconhecido

Já foi prefeito de Rio Branco. Foi eleito e reeleito. Tem recall eleitoral, grupo político e uma parcela do eleitorado que conhece seu nome. Além de tudo isso, tem um dos maiores cabos eleitorais dessa disputa: o prefeito Alysson Bestene, que anda dia e noite pedindo voto para ele.

Pode até não estar perto do segundo turno hoje. Mas ninguém deveria confundir terceiro lugar com candidato morto.

É aí que entra Augusto Cury

A comparação com Cury não é sobre números iguais, muito menos sobre dizer que os dois cenários são idênticos. Não são. A comparação é sobre comportamento eleitoral.

Cury começou mais distante dos líderes e conseguiu transformar uma candidatura que parecia secundária em um assunto relevante.

Bocalom tem uma diferença importante: já parte de 15% em uma pesquisa para o Governo do Acre. Agora imagine o que aconteceria se ele conseguisse avançar alguns pontos enquanto Mailza e Alan gastam energia tentando se destruir politicamente.

É exatamente esse o tipo de cenário que os dois primeiros colocados deveriam evitar. Porque uma eleição com três candidatos competitivos pode mudar de forma muito rápida.

Bocalom também precisa jogar

Mas calma. Não adianta Mailza e Alan brigarem entre si se Bocalom não fizer a parte dele. O tucano precisa encontrar uma mensagem que converse com o eleitor que não quer escolher entre os dois primeiros. Precisa transformar os 15% em movimento.

Precisa convencer o eleitor de que sua candidatura não é apenas uma tentativa de voltar ao comando da Prefeitura de Rio Branco por outro caminho. E precisa fazer isso rápido. Porque crescimento eleitoral não acontece por decreto.

O perigo de olhar só para frente

A política acreana tem uma velha mania: todo mundo olha para quem está na frente.Às vezes, esquece quem está vindo atrás.

Alan e Mailza podem passar as próximas semanas disputando cada ponto percentual entre si.Podem trocar acusações, responder críticas, tentar desconstruir um ao outro e disputar o mesmo eleitorado.

Enquanto isso, Bocalom pode fazer o movimento mais simples — e talvez mais inteligente: falar com quem não quer nenhum dos dois.

São 25% entre indecisos, brancos, nulos e eleitores que não pretendem comparecer. E 40% dizem que ainda podem mudar de voto. Isso não coloca Bocalom no segundo turno. Mas coloca uma coisa na mesa: há espaço para mudança.

E é justamente por isso que Mailza e Alan deveriam olhar menos um para o outro e um pouco mais para trás. Porque Bocalom ainda não é o Augusto Cury.

Mas, se os dois primeiros continuarem ocupados demais brigando entre si, talvez descubram tarde demais que deram ao terceiro colocado exatamente aquilo que ele mais precisava: tempo, espaço e atenção.

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