Em entrevista concedida ao SBT, na tarde de segunda-feira (28), Itadeu Ferreira Jardim, 41 anos, suspeito de matar Orlinda da Silva, 83 anos, seu marido, Osvaldo Marcário, 75 anos, e o filho Acrinaldo Souza, 42 anos, na noite do sábado (26), disse que a família mereceu a morte, devido ao tratamento que ele recebeu das vítimas.
A Polícia Militar conseguiu prender o suspeito da chacina na madrugada de domingo (27). Itadeu foi preso na casa de sua irmã, no bairro Ayrton Senna, em Rio Branco.
Confira trechos da entrevista:
Repórter: Itadeu, o que você tem para dizer a respeito de mais esse crime de homicídio?
Itadeu: Bom, estão me acusando, né?
Você estava sob efeito de algum entorpecente? Você realmente cometeu esse crime?
Não, eu não estava bêbado. Eu estava bom.
O que houve no momento da discussão?
Me esculhambaram e falaram coisas que eu não gostei.
O que você fez? Relate para nós.
Não lembro de nada, só sei que tudo isso aconteceu.
Você estava na casa da vítima?
Eu estava na minha casa.
Você lembra que estava na sua casa. Mas como isso aconteceu? O senhor recorda?
Não recordo.
Mas você sabe que matou uma família?
Foi. Por que mereceram.
Eles mereceram? Por que mereceram?
Foi. Porque me esculhambaram.
O que eles disseram de tão grave para que o senhor reagisse dessa forma?
Ela falou que ia me matar, falou mal de mim. Saí com raiva e disse que ia voltar, e voltei.
Você já cumpriu pena por homicídio e agora vai cumprir novamente pelo mesmo crime?
Vou, eu já estou aqui.
Você tem consciência do que fez?
Não sei, só sei que está feito.
Você tem família naquela região? Como ficam eles?
Tenho e grande. Eles vão se cuidar lá fora.
Você passou a tarde inteira lá?
Estava na minha casa e me chamaram lá para ajudar a pelar um porco. Antes de terminar de pelar o porco, ela começou a falar pra mim algumas coisas que eu não gostei. Eu só fui para a minha casa e fiquei batendo no meu pescoço, eu bati tanto na minha goela que desmaiei. Aí bati nas minhas costas, que está tudo doendo. Bati tanto, dei tanto murro em mim porque não me vinguei.
Como você se sente sabendo que matou sua ‘vózinha’?
Ela não era minha avó.
Você não chama ela de ‘vózinha’?
Eu considerava ela, mas ela não me considerou.
E agora? Como você se sente?
Eu estou bem. Estou preso já.
E agora?
Agora o Senhor que vai tomar de conta da minha vida, daqui pra frente.
Quem vai tomar conta da sua vida? A polícia?
Deus.

