O jovem Mauro Gomes de Freitas Neto, atualmente com 23 anos, convive diariamente com sequelas decorrentes de um acidente de trânsito ocorrido em 8 de dezembro de 2023, em Rio Branco. O caso foi registrado no Boletim de Acidente de Trânsito (BAT) da Polícia Militar e envolveu uma adolescente de 16 anos que, segundo informações da época, teria utilizado o veículo dos pais para se deslocar a uma festa nas proximidades da AABB.
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Mauro estava entre as vítimas do acidente e relata ter sofrido as consequências mais graves. Ele permaneceu 12 dias em coma e passou por diversas cirurgias durante o processo de recuperação.
Atualmente, convive com uma diferença de 6,6 centímetros entre as pernas, perda de aproximadamente 80% da visão do olho esquerdo, redução da audição no ouvido esquerdo e limitações permanentes de mobilidade.

Mauro estava entre as vítimas do acidente e relata ter sofrido as consequências mais graves/Foto: Cedida
“Que seria uma coisa que, pela Justiça, deveria ter sido agilizada pelo lado do pai da menina, da adolescente, de alguma forma financeiramente, para ajudar no tratamento. Afinal, foi isso que disseram quando eu acordei do coma. Eu fiquei 12 dias em coma, e quando acordei, uma das primeiras notícias que recebi foi essa que eu deveria fazer o tratamento porque eles iam ressarcir todo o valor. Mas a gente não conseguiu seguir com isso porque simplesmente não tinha condições financeiras”, informou Mauro.
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Segundo ele, as sequelas impactam diretamente sua rotina. Caminhar por longos períodos, permanecer em pé ou realizar atividades físicas simples se tornaram desafios diários. Além das dores constantes na perna afetada, Mauro afirma sofrer com dores nas costas, no pescoço e em outras partes do corpo devido às alterações provocadas pela lesão.
Durante a recuperação, o jovem precisou passar por procedimentos cirúrgicos, implantação de placas e parafusos e tratamento para infecções ósseas.
Ele relata que chegou a correr o risco de perder a perna e que ainda necessita de acompanhamento médico, fisioterapia contínua e suporte especializado para lidar com as limitações físicas e emocionais deixadas pelo acidente. Além das consequências para a saúde, Mauro afirma que sua vida profissional também foi profundamente afetada. Antes do acidente, atuava como DJ, cantor e produtor musical.
Segundo ele, a perda parcial da audição e as limitações físicas dificultaram significativamente a continuidade de sua carreira artística, que era seu principal projeto de vida. Outro ponto levantado por Mauro é a demora no andamento do processo judicial relacionado ao caso. De acordo com seu relato, desde 2024 houve poucos avanços concretos.

Mauro afirma enfrentar dificuldades para custear tratamentos médicos, exames, acompanhamento psicológico e fisioterapia/Foto: Cedida
Segundo Mauro, uma das últimas informações recebidas indicava a realização de perícias e audiências ao longo de 2026.
“Então, desde o fim de 2025 agora, que basicamente foi uma das únicas notícias que a gente teve sobre o andamento do processo, que era para marcar a perícia do INSS, para agilizar minha aposentadoria, o DPVAT, o auxílio-acidente. Desde então, a gente não tem realmente nenhum recado, mesmo perguntando sempre que possível, porque eu fico realmente em cima. Eu pergunto mesmo sempre e a única coisa que a gente recebe é que não tem nenhuma novidade sobre o processo da advogada, da assistente dela também, é a única coisa que a gente recebe”, disse.
No entanto, até o momento, ele afirma não ter recebido novas atualizações sobre o andamento do processo. Ainda de acordo com seu relato, o profissional que realizaria uma das perícias teria desistido da função, o que teria contribuído para novos atrasos.
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“Desde que a gente teve essa notícia de que íamos fazer uma audiência e a perícia para o INSS e para o processo no geral também, né? Para declarar realmente a minha deficiência, todas as minhas deficiências, que são todas definitivas aparentemente, o único retorno que a gente teve porque a gente cobrou foi que o perito que ia fazer os exames em mim que ia analisar tudo desistiu e iam procurar outro e desde então nada acontece”, completou.
Enquanto aguarda definições judiciais e administrativas, Mauro afirma enfrentar dificuldades para custear tratamentos médicos, exames, acompanhamento psicológico e fisioterapia.
Ele relata que também aguarda consultas com especialistas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Às vésperas de o caso completar três anos, o jovem diz esperar uma resposta das autoridades e um avanço efetivo do processo.
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Para ele, a demora tem ampliado os impactos das sequelas físicas, emocionais e financeiras deixadas pelo acidente, que continuam presentes em seu cotidiano.
“Eu ainda estou esperando marcar um neuro, ainda estou esperando um psiquiatra, um psicólogo, e pelo SUS, da mesma forma que a justiça não está resolvendo nada para mim. Está tudo estagnado, eu não consigo resolver minha saúde mental, minha saúde física e nem o meu processo. A gente não sabe o que está acontecendo”, finalizou.
Relembre o caso
O acidente ocorreu na noite de 8 de dezembro de 2023, na Avenida Dias Martins, em Rio Branco, e envolveu uma adolescente de 16 anos que conduzia um veículo sem possuir habilitação.

O carro era conduzida por uma adolescente sem CNH/Foto: ContilNet
Segundo o relatório policial, a jovem seguia pela via na contramão, no sentido Centro, quando colidiu frontalmente com uma motocicleta ocupada por duas pessoas que trafegavam regularmente no sentido oposto. Com a força do impacto, os dois veículos ficaram completamente destruídos.
Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) prestaram socorro às vítimas, que foram encaminhadas ao Pronto-Socorro de Rio Branco.
A adolescente foi levada à Delegacia de Flagrantes (Defla), acompanhada do pai, que é policial civil. Após prestarem depoimento, ambos assinaram um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e foram liberados. O pai passou a responder pela infração atribuída à filha.
Entre os feridos estava Mauro, que sofreu lesões graves, incluindo traumatismo craniano, trauma torácico e fratura exposta no fêmur esquerdo. Ele chegou a ser internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde permaneceu sob cuidados médicos intensivos.
