cobrança
A obra passa e o transtorno fica. Esta é uma das queixas mais comuns nas periferias de Rio Branco, numa menção negativa à operação tapa-buraco e drenagem, realizadas pela prefeitura. “Essa mania de arrancar o asfalto e deixar o barro já virou palhaçada”, reclama a servidora de uma empresa privada, Gorete Mendes, que mora na Rua do Caju, no bairro Mocinha Magalhães.
O perigo a pedestres é denunciado pela comunidade local. “Já não temos calçadas, e ainda somos obrigados a desviar do mato e dos buracos para atravessar a rua. Isso aqui, em dias de chuva, parece um riacho. Já botei minha casa pra vender”, reage Valdomira Santana.
Na rua Melancia, no mesmo bairro, o “esquecimento” da prefeitura agravou a passagem dos pedestres com o esgoto que brotou há nove meses, depois que as máquinas passaram. Ao dar prioridade aos corredores de ônibus, sem atuar nas ruas transversais, a prefeitura também é criticada.
“Onde as ruas se encontram, é onde está o maior problema. Quem está a pé tem que ir pro meio da rua. Quem está de carro, corre o risco de ter uma peça danificada. Tem buraco que carro de passeio só passa muito lentamente, e fazendo uma manobra cuidadosa”, relata o motorista Sandro Guedes do Carmo, que trabalha como entregador numa madeireira do bairro Alto Alegre.
A razão dos moradores é revelada em várias imagens feitas pela reportagem de ContilNet na manhã desta quinta-feira (2). A drenagem em andamento, no conjunto Ruy Lino I, por exemplo, faz levantar a poeira a todo instante, com o tráfego de veículos nos acessos não interditados pela obra. Um servidor da Empresa Municipal de Urbanismo (Emurb) culpa os moradores, que jogam água e transforma a camada de barro em terreno escorregadio.
“As pessoas também são culpadas”, disse ele. “Eu não vou comer poeira o dia todo. Só eu sei o que é viver nesta situação”, disse a dona de casa Tereza da Silva Mateus. Ela fechou portas e janelas para se livrar do pó amarelado, que infesta até o seu guarda-roupas.
